O casorio de Miguel.

Texto homenagem a Miguel Henrique Nascimento, supervisor, mestre na arte do briefing, homem apaixonado pela Dani e pelo Corinthians.

 

O sonho de Miguel era se casar num gramado. Se ele pudesse bancar seria num gramado importante, certamente no gramado do Pacaembu, que sempre lhe trouxe lembranças memoraveis de sua equipe alvinegra. Neto, Biro-Biro, Tupazinho, ele mesmo ja havia jogado la em um evento de sua empresa. Jogou de chuteira, caneleira e tudo, ao lado de jogadores famosos, de ex-astros corinthianos, fazia sol, teve churrasco e cerveja, que dia perfeito, ah se seu casamento pudesse ser assim…

 

Mas quem nao tem Pacaembu, tem Pirituba. E foi la, no seu bairro natal, que Miguel encontrou o sonhado gramado. Era de grama alta, esburacado, gol sem rede, po de giz para marcar as linhas do campo, mas tinha la seu charme e sua arquibancada pra receber os convidados. E era uma arquibancada até que simpatica, viga de ferro, assento de madeira, toldo, capacidade para a familia toda. O buffet, Miguel queria colocar no gol, na verdade, em um gol o buffet e no outro o bar. Miguel nao queria flores, ia gastar o dinheiro pra aparar um pouco a grama, pois era verao e os mosquitos bem que gostavam daquele campinho, e dar um brilho nas barras do gol, uma mao de tinta branca pelo menos.

Miguel queria entrar de chuteira, queria beijar a noiva e depois dar um carrinho, mas Dani nao deixou. O terno era preto, a camisa branca, foi facil convence-lo que as cores ja representavam o suficiente. Mas so ele sabia que vestia uma camisa do Neto por baixo da outra, queria pelo menos beijar a noiva e sair correndo pra torcida, exibindo sua emocao e felicidade.

 

Marcou o casamento pras 16h, hora de jogo. A torcida veio em massa, arquibancada lotada. O juiz, quer dizer…o padre estava la no centro do campo e Miguel ao seu lado, ja aquecido com algumas doses de rabo de galo e maria mole. E que venha a noiva, pensou ele. Dani entrou em campo pela saida do vestiario, e veio la da defesa em direcao ao meio campo. Miguel recebeu a noiva, escutou o padre e disse sim. E antes de dar o beijo para selar a vitoria, pegou o rosto de Dani com as duas maos, firme, e a puxou em direcao a ele. Olhou pro ceu, olhou pra ela, bem nos olhos e disse : Eu vou fazer o melhor que eu puder !

3 Responses to “O casorio de Miguel.”

  1. marcelo alves Says:

    os mosquitos foram um aborrecimento temporario, duraram ate o segundo espeto de carne e o terceiro copo de cerveja do miguel, o resultado foi tragico para a fauna de insetos locais

  2. Dani - a noiva Says:

    Cada vez que eu leio esse texto tenho mais cólicas pensando em como o Miguel pode levar isso a sério! Mas assim mesmo, adoro!!!!!

  3. Muito bom!!!

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