A SETA -> Episodio final: happy hour.

A SETA – PARTE 1, clique aqui

A SETA – PARTE 2: MORTE NA CORPORAÇAO, clique aqui

 

Por Rodrigo Vidal ferraz e Gustavo Gessullo

 

Happy hour corporativo, momento da vida em que passar a mao na bunda de alguem pode ter consequencias gigantescas. Pode dar casamento, uma trepada no banheiro sujo do boteco, demissao ou até morte. É o perigo ao extremo, joga-se alcool por cima do sinismo e da falsidade. De repente, todo mundo vira amigo, todo mundo tem afinidades. O começo de um happy hour é apenas uma extensao do que rola dentro da empresa, as panelas, a hierarquia, o puxa-saquismo. É depois de umas belas porçoes e varias cervejas que a situaçao começa a mudar. Um verdadeiro baile de mascaras. A cana torna o cidadao valente, amigavel, corajoso, despojado, muitas vezes agressivo, tudo o que um bom funça nao pode ser…se perde a noçao da escala do poder…se cria uma nocao de amizade, alegria e companheirismo que nao existe… é so um momento de euforia, que no dia seguinte nao existira mais. Happy Hour é o cara cuspindo e falando alto no ouvido da diretora de marketing…a secretina dançando forro com o VP num esfrega esfrega de dar medo…o gerente, depois de um dia duro no trabalho, suado e com uma catinga desgraçada, camisa aberta, bafo, boqueira e descabelado dando em cima da estagiaria…o aspirante a gerente contando uma mentira atras da outra na mesa so para impressionar o diretor, que pensa, “meu deus, que piaozinho loco do caralho”…o estagiario, novo, imaturo e ingenuo ainda, lança que a empresa é uma merda, que ganha mal e trabalha demais, fala mal de todo mundo e no dia seguinte é demitido por conta da crise…a analista contabil que deixa escapar que frequenta casas de swing com o diretor de RH…o gerentao boa pinta que fica so de coruja na mesa, dando bicadas de passarinho no copo, esperando a supervisora gostosona pedir carona, mamada e pronta pro abate…os mano da mensageria e do almoxarifado que chegam causando tumulto, pedindo tequila, vodca e o caralho, na doce ilusao que naquele momento nao tem rico, nem pobre, nem afortunados e perdedores…o alpinista corporativo que so da uma passada pra “lembrar” que ta indo pro MBA…o boca mole do analista que conta uns podres da gerente da area pra mesa toda…ahhhhh, infeliz momento hippie, onde tudo parece perfeito, somos todos amigos, estaremos juntos e de maos de dadas para sempre vestindo a mesma camisa e lutando pelos mesmos sonhos. 

 

E la estava eu, numa mesa de bar lotada. Mais de 20 pessoas reunidas tomando, comendo, falando, o happy hour é uma soma de Aldous Huxley, é daqueles momentos necessarios pra apagar a triste verdade que nesta vida ninguém vence. Ninguem vence. Entre um copo e outro de cerveja, eu talhava setas na mesa de madeira do bar. O auditorio estava armado para o que a seta pedisse. Eu esperava o momento com ansiedade, oque me fez entornar o que vinha pela frente, eu estava bêbado e louco. Quando eu olhei para a mesa de madeira, eu havia talhado setas em todas as direcoes possiveis, um 180º harmonico. E a seta nao tardou a dar seu sinal. Todas elas piscavam. Respirei fundo e saquei a pistola automatica cuidadosamente de minha mochila. Golpeei meu copo de cerveja e me levantei com a rma em punhos. Antes de qualquer reaçao, lancei uma rajada nos mesmos 180 da seta. Todo mundo caiu como merda no chao. Agora fudeu. O negocio ia ficar feio pra mim. Olhei para as setas e uma so piscava. Piscava para um poster gigante de John Wayne portando uma pistola ainda fumegante. Parceiro.

 

Agora meu nome é John The Smoking Gun, filho da puta! 

 

3 Responses to “A SETA -> Episodio final: happy hour.”

  1. é foda… verdade mesmo!!! …puta hipocrisia essa merda!!! …por isso, happys só com os brothers… alias, happy o caralho… e sim, hora da cerva com os camaradas que estão contigo no dia a dia… aproveito para deixar aqui registrado o grande abraço para esses e para o guga que já fez parte desse nosso dia a dia… valeu!!!

  2. Rodrigo Vidal Ferraz Says:

    Eu acho que nao tinha uma forma melhor de contar o nascimento do John… se vc se deixar levar, o mundo corporativo te pega rapaz, e ai, relojao no pulso, mil sorrisos, muito cafe, mont-blanc, tissot, sapatao lustroso, corte de cabelo de 100 coro, almoço de 800 com o “fregues”, cumprir tabela em MBA, e pra finalizar vc diz que nao se imagina sem o trabalho, que vc nunca conseguira parar de trabalhar de tanto que vc ama o que faz…
    a merda todo mundo… literalmente, vai plantar tomate e fazer curso de canto… bando de merda!

  3. Rodrigo Vidal Ferraz Says:

    outra, se existissem meia duzia de Johns dentro de cada grande corporaçao, a historia seria diferente… meu sonho é ser um John

    como diria o capitao Nascimento: senta o dedo nessa porra…

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