Archive for June 10, 2009

Caiu na rede é peixe

Posted in Dirty Sheep Confessions with tags on June 10, 2009 by gugagessullo

A Internet é um mundo maravilhoso, cheio de possibilidades e desenfreadas oportunidades de acesso à tudo, inclusive cultura. O problema é que as vezes a tecnologia também atrapalha. Outro dia queria assistir um filme, entrei no joox e da enorme lista do arcenal, quase nenhum pegava. E la vai eu baixar codec, atualizar java e tudo mais. Volto la no joox e nada ainda. Desisti. Entao decido baixar um filme como torrent, mas me deparo com comentarios nada animadores, pessoas que baixavam o mesmo filme que eu queria ver e que reclamavam da sincronizaçao do audio e video, de que no meio entrava audio russo, de era um torrent falso, de que tinha apontado virus e por ai vai. Dos filmes que prestavam, me sobravam algumas comédias românticas e filmes que ja havia visto, filmes antigos. Também desisti. Entao apelei para a locadora porque as vezes isso tudo da no saco e você so quer pagar e assistir. É ainda mais facil pagar e assistir e acho que sempre sera, um dia assim sera a internet também. Hoje em dia até o youtube anda mudando de lado, num dia tem video, no outro eles retiram por causa de direitos autorais. Agora, enquanto você vê um video, aparece uma barrinha para te vender a musica no itunes. Alguns acham isso demais, eu acho uma merda. Depois de alguns bons anos de liberdade e livre arbitrio, la vem os filhos da puta mais uma vez nos cercando, pedindo dinheiro. Vais er sempre assim ? Vai.

Feliz aniversario John!

Posted in John the Smoking Gun with tags on June 10, 2009 by gugagessullo

Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida
careca como uma lâmpada,
barrigudo
grisalho
e feliz por ter
um quarto.

 

De manhã
eles estão lá fora
a ganhar dinheiro:
juízes, carpinteiros,
canalizadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
lavadores de carros, barbeiros,
dentistas, floristas,
cozinheiros, taxistas

 

e tu viras-te
para o lado esquerdo
para apanhar sol
nas costas
e não nos olhos.

 

Todos ser humano tem seus demônios. Talvez eu seja o demônio de mim mesmo. Com esse cheiro de enxofre que sai do meu cu. Largado aqui num quarto sujo e imundo, cinzeiro cheio, caixa de pizza largada no chao, latas de cervejas vazias, tomadas, amassadas, bafo de merda. Se alguém me olhasse agora duvidaria da minha furia, sou apenas um homem de cuecas. E de repente sinto uma coceira canina no meu pau. Lembro da cadela vadia que esta deitada na minha cama.  Ela me olha manhosa, seios descobertos, a xana querendo sair do lençol. Querendo fazer tipo. Até cogito uma outra trepada, mas nao quero enfiar meu pau de novo naquele formigueiro. Ela se levanta na pretensao de me fazer um chamego. « Se veste » digo calmamente. E a expulso dali. Hoje quero ficar sozinho. Olho pela janela e o Minhocao movimentado como sempre, carros, fumaça, as calçadas da Angelica cheias de gente, as formigas acordam cedo. Fecho as cortinas e deixo o sol incomodar la fora. Realmente nao faço parte daquilo. Ou faço ? Mera ilusao de me achar um solitario alienado, existo para que outros deixem de existir e esses deixam de existir porque outros assim o desejam, compram, com suas finalidades e pretextos, eu faço a roda girar, eu faço o mundo ser como é, como qualquer outro assalariado ordinario que senta a bunda em frente ao computador o dia todo numa corporacao de merda e fica apertando o botao. Para ser como é, o mundo precisa sempre favorecer uns e desfavorecer outros, tenho muita culpa nisso tudo. A campainha toca, é um entregador. Traz uma caixa de charutos, presente de Hammer. É que hoje faço 43 anos, e estou cada vez mais cansado. Acendo um charuto e vou dar aquele cagalhao matinal folheando uma revista de celebridades. Paro em uma foto de um atorzinho global de merda com uma imagem do Papaleguas estampada na camiseta. Provavelmente é do tipo que nao torcia pro coyote, sujeito que nao da pra confiar.  Olho minha bosta e admiro o meu bebê. Merda de cerveja. So um banho pra tirar o cheiro de demônio em mim.

 

Saio de casa e vou até a padoca da esquina, me ofereço de presente um bolo feio e velho todo coberto de um chocolate marrom, cor de bosta seca. Me sinto uma menina carregando um bolo pra casa, mas quero comer um doce, foda-se, depois é claro de comer um bicho morto. Vou até o Filé do Moraes e peço um sangrento file coberto com catupiry e muito alho, arroz e uma boa cerveja gelada acompanham. Levanto o copo pro alto e saudo a mim mesmo, mas nao quero dar trela de que estou comemorando algo especial e fazer papel de um solitario otario, termino o prato na mesma velocidade dos trabalhadores da avenida Paulista, mas arroto logo depois so pra clamar a todos que nao faço parte da patota que marcha. Eu ainda ando e penso que controlo minhas proprias pernas. Passeio sem pressa pelas calçadas tomadas de gente, acendo um charuto de Hammer e fico olhando o mundo da minha janela. Percebo que todo mundo, inclusive eu, sempre vê o sol nascer quadrado, atras das mesmas grades idiotas. Pelo menos eu ando em ritmos diferentes, me sinto como se estivesse andando de sunga no meio da multidao. E quero é voltar pra casa, me lambuzar de bolo, abrir uma garrafa de whisky, fumar mais um charuto e dormir de cuecas. E depois quem sabe, apagar minhas velinhas com o sopro da minha arma. Feliz aniversario John The Smoking Gun !

 

*texto baseado no Poema dos meus 43 anos de Charles Bukowski