Archive for November, 2009

Seeds of memory

Posted in Dirty Sheep Originals, John the Smoking Gun with tags on November 12, 2009 by gugagessullo

Um conto de John The Smoking Gun

 

Seeds of Memory de Terry Reid tocando na vitrola.

 

Tem musica que te faz sentir fodao, essa é a musica que eu queria que tocasse no meu enterro, você sabeSo His Life Can Stay Immortal To The Country / And Let Every Man Aware Of Being Free. Mas antes, eu ainda tenho muita fumaça pra queimar e te juro que vou fazer por merecer ter o Terry Reid velando por mim.

 

Hoje eu tou me sentindo bem, nao tenho olhos azuis, nem sapatos novos, muito menos sou amado, mas que se foda. A puta da Ana acordou eu estava mexendo na minha arma, colocando bala, ela gostava disso e talvez eu fizesse mesmo pra aparecer pra ela. Ana, sua puta vadia, nao posso ter sentimentos por você. E ela ficava ali, ainda deitada e me olhando, pelada, com sua xana de castor mostrando os beiços largos e desabotoados. Se eu pedisse, ela aceitaria se casar comigo, imagina eu e Ana, a puta, brincando de papai e mamae. Eu chegando em casa com a pistola fumegando e ela com o rabo furado, nao daria certo, eu ia ficar paranoico, ia querer queimar cada cliente dela e mesmo se eu pedisse que ela parasse, ia fazer o que ? Ficar em casa com a xoxota coçando, louca pra dar problema na pia e aparecer um encanador mal-intencionado. Ana é uma puta e sempre vai ser uma puta safada.

 

          Ana, ta na hora de vazar.

 

E ela mudou a cara na hora, me olhou como seu tivesse cagado em praça publica.

 

          Podemos tomar café juntos – tentei me redimir, mas ja era tarde.

          Tenho cliente logo mais – Quis me machucar a puta.

          Ok, quer uma carona ? – entrei no jogo, dei uma de que tava pouco me lixando.

          Porque nao tira o dia de folga e ficamos aqui ?

          Porque dia de folga é pra assalariado de gravata ou pra putas como você.

          Seu merda !

          Nao enche meu saco Ana.

 

Ela aceitou a carona, a casa dela era caminho do Star 69. Tinha de encontrar o Mijao la, tinha um trabalho com ele. Peguei a Consolaçao e o transito estava infernal. Olhei ao nosso redor e la estavam as pessoas indo para o trabalho, a maioria sozinha no carro, vidros fechados, radio ligado, algumas falavam no celular. Os onibus passavam pelo corredor tomados de gente, seres humanos enlatados, subindo a Consolaçao em direçao à Paulista, os jovens com seus fones, geraçao perdida, eles nao escutam mais o som das ruas. Mas o pior sao os autistas, os que ficam pendurados no celular andando igual barata tonta, sem noçao de direçao, trombando nos outros, as pessoas nao conseguem mais se encarar num transporte publico, se sentem incomodadas, o fone ou o celular no ouvido é companhia, um onibus passou com um figura no meio dos autistas com a biblia aberta, citando alguma merda, falava sozinho, como seu proprio deus ultimamente. Quem olhasse eu e Ana pensaria que éramos um casal subindo a Consolaçao, rumo a baderna corporativa. Deixaria ela ali no cruzamento da Paulista com a Consolacao, nos despediriamos com um selinho, eu seguiria até a Marginal, sentido Berrini, trabalhariamos o dia todo, no final do dia nos encontrariamos em casa, jantar, tv, sexo compensatorio, podiamos ser facilmente confundidos com um desses casais. Mas quem olhasse com o devido detalhe nao cairia nessa nao, Ana mascava um chiclete de maneira vulgar, pé emcima do porta-luvas, saia muito curta, batom, perfume barato, eu com uma pistola na cintura. Virei pra entrar embaixo ali do Minhocao, deixei a patota toda subindo o morro, larguei Ana em frente ao prédio dela, nos despedimos sem selinho. Parei em frente ao Star.

 

          Até que enfim porra! – Mijao gritou la do fundo.

          Ta apertado filho da puta ?

          Relaxa, tou de fralda.

          E seu ajudante?

          Foi me comprar um pacote de geriatricas ali na farmacia.

          E qual é a boa?

          É coisa rapida, um figurao que ta sendo chantageado por uma puta. O cara ta paranoico John, a puta nao para de ligar no celular, ligou até na casa dele, a esposa do cara anda desconfiada.

          O figurao prometeu o mundo pra puta e agora quer enterrar os sonhos delas, tipico.

          A puta diz que ta gravida.

          E se é pra matar uma puta, porque você me chamou?

          Porque essa você conhece.

          Quem?

          Ana.

 

Fui ator, nao demonstrei reaçao nenhuma. Ainda bem que o Mijao tinha me chamado.

 

      Sei quem é.

      Te dou 20% do pagamento se você me der o caminho das pedras.

      Nao é tao facil assim, ela nao atende em casa, so marca por celular e tem que ser indicacao de alguém. Nao tenho idéia de onde mora, que lugares frequenta.

       Eu ferrei minha chance John, escuta. Liguei pra ela e disse que era amigo do figurao. A puta desligou na minha cara.

 

Ainda bem que o Mijao tinha cagado, cara burro, a Ana era esperta.

 

      Faz o seguinte Mijao. Quer se livrar desse trabalhinho sujo? 50/50, eu acho ela, mato e trago o que quiser pra provar pro figurao, so que eu tenho de fazer do meu jeito, sozinho.

 

Mijao deu um sorriso meio sem graça, ele tava doido pra que eu fizesse isso desde o começo, odiava trabalhos que davam trabalho, era do tipo entrar e matar. O lance é que depois de varios vacilos seguidos, o cara começa a receber so servicinho deste tipo, matar cafetao, puta, trabalho simples para maioria dos matadores que ja percorreu o minimo do caminho das pedras, mas pro Mijao nunca foi, tinha fobia de puteiro e gente doida. Cara estranho.

 

          Porra, te devo uma John.

          Anota ai Mijao. E preciso do telefone do tal figurao.

 

Sai do Star com os olhos virados, caralho, a Ana e como assim, gravida? Eu tava cutucando o bebê esse tempo todo e mal sabia, puta vadia, ela ia se ver comigo. Voltei pra casa, sentei na minha poltrona pra pensar, acendi um cigarro, baforei idéias vazias, nada vinha. Peguei meu celular e liguei pra Ana.

 

          Alô.

          Ana, é o John.

          Oi John.

          Preciso falar contigo e tem de ser agora. Tem gente querendo te apagar, que porra você aprontou?

 

Peguei o carro e fui pra casa dela. Ela me atendeu com a cara em pânico, tava assustada. Me serviu um whisky, sentamos um de frente pro outro, acendemos um cigarro.

 

          E entao Ana, que historia é essa?

          Que historia?

          Corta esse papo de puta Ana, que papo é esse de chantagem?

          Nao é bem assim…

         CORTA ESSE PAPO, PORRA! – Meti o cano na barriga dela, tava com os olhos inchados de raiva, veia saltada na cara, eu tava enfezado.

      O FILHO É SEU PORRA! – gritou e pôs as maos no rosto. – VAI MATAR SEU FILHO É?! – Engatilhei o révolver e forcei na barriga

      CORTA ESSE PAPO!

      É VERDADE! – E começou a chorar – Que porra você queria que eu fizesse? Eu peguei o mais otario de todos e fiz chantagem, nao fui a primeira a fazer isso. Eu so queria uma grana do otario, queria apertar as bolas dele, achei que ele ia ficar cagado e me dar sem titubear, entende? – Fiquei sem reaçao, minhas maos tavam mole, baixei a arma, olhei pro rosto dela. – Filho de matador, John? Tudo menos isso, né? Eu fiz isso porque nao queria é te foder, nao queria que soubesse nunca.

 

Ficamos nos olhando em silêncio por alguns minutos. Acendi outro cigarro, baforei a idéia mais sensata naquele momento

 

          Da sua mao.

          Quê?

      DA SUA MAO AQUI! – E ela me deu. Prensei sua mao com os dedos abertos emcima da mesa, levantei e forcei ela pra tras com meu pé, tirei minha faca do bolso e cortei seu mindinho. AAAAHHHHHHHHHHHHH!

      Agora sai daqui e vai pro hospital.

 

Levantei e fui embora. No carro, liguei pro figurao.

 

          Doutor, sobre a tal encomenda.

          Ah sim. E entao?

          Feito.

          Quero uma prova.

          Em meia hora, traga o dinheiro. Anota o endereço.

 

Dei o endereço de um café na Paulista, homens e mulheres passava diante de mim, selinhos, selinhos e mais selinhos. O tal figurao entrou no café dando na cara que era ele mesmo. Apontei pra mesa e ele veio se sentar.

 

      Nessa caixa aqui, doutor, a prova fisica. Fica tranquilo que ninguém mais vai te aporrinhar o saco.

      Cara…e o bebê?

      Foi junto. – E ele baixou a cabeça e quis chorar. – Agora é tarde demais.

      Talvez fosse necessario so um susto nela, agora vou viver com isso pra sempre.

      Vai nada, putos como você enfiam o pinto em outros buracos o tempo todo, se isso te consola, é capaz que tenha outros filhos espalhados por ai. É capaz que tenha um orfonato de bastardos, é capaz que tenha um puteiro recheado deles. Se precisar de outro serviço, estamos sempre às ordens.

 

Me entregou um envelope com dinheiro. Levantei e o deixei la com a conta, peguei o carro e parei no Star. Entreguei a metade do dinheiro ao Mijao « Tudo resolvido » disse. Liguei para Ana, atendeu sua amiga Flora, estava no hospital com ela. « Perdeu o dedo », ela disse « Um cliente louco ». « Passa ela no telefone » pedi. Senti sua respiraçao do outro lado da linha “Oi boneca. Quer se casar comigo?”

Advertisements

Exercício de estilo

Posted in Dirty Sheep Loves it! with tags on November 11, 2009 by gugagessullo

Exercício de estilo – por Daniel Grenier

Do blog Saint-Henri

É apenas uma questão de vontade. Pode ser que eu não tenha o direito de falar desta maneira, pode ser que não faça sentido, mas a vontade sempre deve ser maior que o medo. Faz muito tempo que abandonei o medo, porque é impossível viver amedrontado. O medo paralisa as funções vitais, quebra os braços e as pernas, cala a boca, queima os cabelos e atrofia o coração. A gente precisa matar o medo se quiser falar. É mais simples do que você pensa. Só precisa arrancar a sua língua de dentro da boca, tirá-la de lá, cortá-la, sangrá-la, ferí-la, achatá-la no chão e olhá-la morrer. Após a morte dela, é só falar com os dentes vermelhos, e com a saliva e o sangue que espirram da boca. Com sua língua morta, à sua frente, no chão, só te falta a vontade de falar. Falar essas excreções, essas secreções, esses segredos que te mantém vivo.

Observação importante: Daniel, o autor, começou a aprender português faz pouco tempo, sua primeira língua é o francês. É um escritor, tem o dom, o jeito, a manha. Em qualquer língua. Foda.

Them Crooked Vultures

Posted in Dirty Sheep Loves it! on November 11, 2009 by gugagessullo

Tá aí o provável melhor disco do ano. Them Crooked Vultures, união de Josh Homme (QOTSA), Dave Grohl (Foo Fighters/Nirvana) e John Paul Jones (Led Zeppelin). Confira uma das músicas do disco que sai nos EUA e Canadá 17/11.

Grafite animado

Posted in Dirty Sheep Loves it! with tags , on November 10, 2009 by gugagessullo

Post em homenagem ao Kassab que quer pintar todos os muros  de São Paulo de cinza e deixar a cidade sem cor e sem graça. O cara mandou pintar até os grafites dos gêmeos que tão com tudo mundo afora.


No DVD do ovelha

Posted in Dirty Sheep Cinema with tags , , , , , , , , , on November 10, 2009 by gugagessullo

whateverVocê conhece Larry David? Sim, você conhece Larry David. Ele é a cabeça por trás de Seinfield, o cara que criou a série junto com Jerry e que alimentava boa parte das piadas. É ele também o criador e ator principal de Curb Your Enthusiasm, série original da HBO. E é ele o ator principal do último filme de Woody Allen. Whatever Works é pra quem gosta de Woody Allen e Larry David, muito diálogo (e dons bons!) com uma história que diverte e questiona. Em minha opinião, muito melhor que Vicky Cristina Barcelona, Scoop e Match Point. E passou assim, sem muito sucesso, talvez porque não tivesse nenhuma Scarlet Johansson, Hugh Jackman ou Penelope Cruz por lá. Mas tem Evan Rachel Wood, que dá um pau na Scarlet como atriz e na beleza.

away from herFilme de grande expectativa. Julie Christie nomeada ao Oscar (ganhou?) e direção da canadense Sarah Polley, mais conhecida por seus papéis estranhos em filmes como A Vida Secreta das Palavras e Minha Vida sem Mim. E não gostei assim tanto. Achei que era melhor. A história é boa, mas meio irreal, ia bem até os minutos finais. A interpretação da Julie Christie é realmente muito boa, mas dou mais crédito para a Sarah Polley que deu delicadeza ao filme e à doença de Alzheimer. Gosto mais dela na direção do que como atriz. Vale a pena e se você tem casos de Alzheimer na família, segura o baque que dói.

upAs animações têm aquele efeito comédia romântica, cheios de valores morais e personagens batidos. Sai os Pingüins de Madagascar, entra o Burro do Shrek e assim vai. Up sai um pouco desta linha, até me perguntei no começo do filme se uma criança não dormiria. Porque o começo é mais um drama do que história para criança ficar feliz. Depois do meio, o gordinho mais fofo do mundo aparece e o filme vira diversão até o fim. No final da balança é só mais uma animação, os cachorros falantes fazem o papel dos Pingüins e do Burro. Só que os caras deram um passo a mais aqui.

the menUma bosta. Nem um elenco com George Clooney, Evan Macgregor, Jeff Bridges e Kevin Spacey salva o filme. Acho que é daqueles projetos que os caras topam pra fazer permuta e produzir os filmes que querem de verdade, prefiro acreditar assim.  Historinha boba, crítica superficial à guerra e piadas soltas, a cada 20 minutos você abre um leve sorriso, acha que vai dar uma boa risada e volta uma cena chata. Filme que não sabe o que quer ser, quer ser comédia, quer ser sério, mas acaba e não é nada, só um monte de ator famoso junto que a mídia soca de comercial na TV pra te fazer pensar que é a comédia do ano.

departuresVi o trailer de Departures e fiquei empolgadaço. Filme japonês, pensei, tem de ser bom. A história é ótima: um músico que toca violoncelo e trabalha numa pequena orquestra de Tokyo. De repente, a orquestra é desfeita e ele decide voltar a sua cidade natal. Precisa de um emprego e acha no jornal uma proposta que parece tentadora, salário bom, sem precisar de experiência. E quando chega lá pra fazer entrevista, o trabalho é limpar corpos de mortos. Uma espécie de ritual pago pelas famílias onde ele tem de limpar, maquiar e vestir o morto na frente de todos os presentes no velório. E ele pega gosto pela coisa. Lidar com a morte de perto é o que faz o personagem perceber a vida, a ausência do pai, o casamento e seu amor incondicional pelo violoncelo. E todas as razões por trás de tudo. Filme lento, mas ótimo.

managementBoa surpresa com Jennifer Aniston e Steve Zahn. Quer dizer, Jennifer Aniston continua a Rachel de Friends, mas tudo bem, Steve Zahn manda muito bem. Do começo ao meio, um filme de personagem Sundance: Steve trabalha num hotel à beira da estrada com seu pai e sua mãe e mora lá, num quartinho, faz o turno da noite. Num belo dia, uma executiva bem sucedia chega para se hospedar no hotel (Aniston) e uma relação meio estranha entre os dois começa. Do meio pro fim, o filme dá pitadas de pastelão quando Steve abandona o seu emprego e vai atrás de Aniston, que agora está casada com um guru dos iogurtes naturais. Mas não chega a decepcionar, depois que Woody Harrelson vaza do filme (o guru dos iogurtes), o filme retoma e termina bem.

Coelhos Brancos

Posted in Dirty Sheep General, Dirty Sheep Music with tags , on November 5, 2009 by gugagessullo

É assim que se faz! ——– (enviado pelo Ronnie)

A banda Faith No More, atração do Maquinária Festival, que acontece nos dias 7 e 8 em São Paulo, pediu 48 toalhas “pré-lavadas, secas e fofinhas como um bebê coelho em um dia de verão“. Para não deixar dúvidas sobre o “grau de fofura” da encomenda, foram enviadas fotos do bichinho anexadas à lista de exigências.

The Swell Season

Posted in Dirty Sheep Music with tags , , on November 5, 2009 by gugagessullo

 

The Swell Season é uma banda formada por Glen Hansard e Markéta Irglova, os protagonistas do filme Once. Nos shows ao vivo, a banda irlandesa The Frames, primeira de Glen Hansard, sobe ao palco para dar força a algumas musicas. E o show é muito bonito, 2h30 de cançoes do filme Once, do novo album Strict Joy e de covers de Van Morrison (Astral Weeks), Leonard Cohen (My Blue Raincoat) e Bob Dylan (You ain’t going Nowhere), além de uma musica de despedida onde eles misturaram Red Chord do The Frames, Last Goodbye do Jeff Buckley e Parting Glass do The Clancy Brothers.

 

Entre os destaques, vale a pena conferir o Glen Hansard sozinho no palco fazendo Astral Weeks do Van Morrison. Esmirilhando a viola.