Archive for January, 2010

Garoto

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , , on January 29, 2010 by gugagessullo

Outro dia eu peguei uma caixa de bombons sortidos da Garoto e me perguntei “Porque a Garoto não deu certo?”. Ao abrir a caixa me deparei com as várias respostas: Opereta, Mundy (porque com “y”?), It Coco, Serenata do Amor, Caribe, Alô Doçura e por aí vai. Eu gostaria de saber quem foi o gênio que inventou esses nomes. Entre nós, Opereta é sacanagem! Quem tem vontade de comer um chocolate branco com esse nome? Duvido que exista alguém nesse mundo que chega em casa louco pra comer uma Opereta. E o nome que deram para o bombom recheado de banana? Caribe! Bombom ao leite? Alô Doçura! E o Prestigio da Garoto, como chama? It Coco! O sonho de Valsa deles? Serenata do Amor. E o bombom Surreal, oque foi isso? Surreal onde?!!! Não dá, não dá vontade de comer. Quando alguém me aparece com uma caixa de bombons sortidos Garoto, desanima geral. Você está esperando aquele doce gostoso depois do almoço e é obrigado a encarar um Opereta. Os nomes dos bombons estão naquele lugar entre o popular e o fino, que vira brega, ridículo. Eu imagino a reunião dos bacanas da Garoto, exatamente no dia 16 de agosto de 1929 quando a marca foi lançada, fico pensando no gênio que lançou a idéia de todos esses nomes e gostaria de estar lá só pra dizer “Meu amigo, você sabe o que você vai fazer com o futuro da Garoto?”

My City of Ruins

Posted in Dirty Sheep Music with tags , , on January 27, 2010 by gugagessullo

Eddie Vedder acaba de lançar um single para ajudar o Haiti. A música My City of Ruins vai ser lançada no site oficial da banda e todas as compras serão revertidas para a reconstrução do País. Excelente atitude, contribuir por uma causa com aquilo que você sabe fazer de melhor. Aliás, gostei também da atitude do John Travolta que pilotou um avião cheio de comida e medicamentos para o Haiti e disse “Todo mundo que tem um jatinho, deveria fazer a mesma coisa”. Infelizmente John, o mundo não é tão generoso assim…

A música interpretada pelo Eddie Vedder tem composição e letras de Bruce Springsteen. Veja abaixo.

bukowski’s note

Posted in Dirty Sheep General with tags on January 27, 2010 by gugagessullo

Dead Man’s Bones

Posted in Dirty Sheep Loves it! with tags , on January 27, 2010 by gugagessullo

O soco que eu não dei no Elton.

Posted in Dirty Sheep Originals on January 26, 2010 by gugagessullo

Sabe aqueles momentos na vida que se você pudesse voltar e mudar, tudo poderia ser diferente? Você poderia ser diferente. A minha foi quando eu tinha 12 anos, no recreio do colégio. Eu estava ali com meus amigos zombetando um menino, o Elton. Tirando sarro, fazendo piadas, sendo moleque como todos nós fomos um dia e ainda somos às vezes. E o Elton se levantou e partiu pra cima de mim. Me chamou pro pau. E eu, o zombetão, o zueiro, não esparava por aquilo. Elton se pôs em posição de luta e veio pra cima. Meu instinto foi me armar também e fiz posição de briga. Em minutos, o pátio estava cheio de gente nos rodeando, eu ele circundando, dando voltas, um de frente pro outro, cada um esperando quem ia dar o primeiro golpe. As pessoas gritavam “Vai, dá um soco” e eu hesitava e Elton também. E continuávamos a rodar em falso. Imaginei a cena toda, eu dando um soco e encerrando aquilo de uma vez por todas, mas não tinha coragem. O que imaginava de verdade era que meu soco não seria forte o suficiente para derrubá-lo ou que ele me daria um soco primeiro e eu cairia como merda no chão. Imaginei a vergonha e o fracasso. E acho que Elton percebeu isso. Não veio com soco, mas com uma bela rasteira. Mal sabia eu que o aparente indefeso Elton fazia judô há 3 anos. Cai no chão e comecei a tomar uma seqüência de bicudas. Imaginei o fracasso e ele veio. Imaginei a vergonha e ela veio, junto com as risadas e os aplausos para Elton. Aquilo foi um episódio único, eu e o Elton ficamos até amigos depois, mas isso não é a questão. E nada contra o Elton também. Eu devia ter dado aquele soco. O significado daquele ato na minha vida talvez tivesse me mudado. Talvez aquilo me transformasse hoje numa pessoa mais forte, com os punhos fechados e pronta para a briga, qualquer que ela seja. Mas não dei o soco e sou o que sou. E a vida hoje tira sarro de mim e eu não faço nada. Ela se põe a minha frente esperando o meu soco e eu só sei imaginar o fracasso. Fico rondando ela em falso fingindo que estou pronto pra briga. Até o momento que ela me derrubar com uma rasteira e me encher de bicudas. É só o que eu consigo ver.

Mentira ou verdade?

Posted in Dirty Sheep Loves it! with tags , , , on January 25, 2010 by gugagessullo

Imagina um mundo assim: todo mundo só fala a verdade e o que realmente pensa e sente, um mundo totalmente transparente. Mas qual a graça do mundo sem uma mentirinha? A mentira também serve pra ajudar alguém, ou pra conquistar ou pra conseguir um emprego, ou mesmo pra te fazer sentir melhor.

Segue aqui um trecho do filme The Invention of Lying, estrelado pelo Rick Gervais (que apresentou o último Globo de Ouro). No filme, a hipótese de um mundo sem mentiras é verdadeira até que num dia como qualquer outro, Gervais inventa a mentira. E vira Rei.

O trecho é uma propaganda da Coca-Cola.

imagem do dia

Posted in Dirty Sheep Loves it! with tags , , on January 24, 2010 by gugagessullo

Regra do Jogo

Posted in Dirty Sheep General on January 22, 2010 by gugagessullo

Essa é um ótimo jogo que peguei a idéia emprestada.

Pegue o 1º livro que estiver mais perto de você, abra na página 38, 6ª linha e escreva no comment.

Quero ver, vamos lá! Digo, Lessa, Cris, Vidal, Rafa, Amadinha, Marcelão, Daniel, Lu, Elísio, Maira, Ronaldo, Miguel, Chiara, Diego, Lobo, Masha, participem!

Aqui vai o meu “SEM DEIXAR DE BUSCAR

Interessante.

Yeasayer

Posted in Dirty Sheep Loves it! with tags , , on January 22, 2010 by gugagessullo

Matias Bola Murcha

Posted in Dirty Sheep Originals, John the Smoking Gun with tags on January 18, 2010 by gugagessullo

 

Meu vô dizia que o homem tem dois caminhos na vida: cortar o saco ou continuar com as bolas balançando. A maioria de nós esta capado, as vezes até mesmo nascemos já sem as bolas. Meu vô era um cara vigoroso, reprendia sempre meu velho quando ele vinha com o facão pra cortar meu saco. Graças a ele continuo batendo as bolas. O lance todo desse papo é so pra dizer que às vezes é pesado pra caralho carregar as bolas do saco. Não tem caminho fácil nessa vida.

O pequeno Matias achava o contrário, recém-chegado, indicado por bandido, fazia a vida como ladrão desde moleque, achava que tinha as bolas do tamanho das minhas. Batia boca com qualquer um, peitava e achava que tudo se ganhava no grito, mas nesse ramo aqui agente também tem que aprender a se relacionar bem, como os engravatados lá fora, dar uns tapinhas nas costas, fazer uns trabalhinhos sujos, favores. Tem gente que acha que ludibria sempre o sistema, que não faz parte dele, aponta pros engravatados e dá risada, como se fossem os únicos otários nesse mundo. Não tem liberdade no sistema, irmão. O próprio conceito de liberdade é cria do sistema, pro cara tar rindo de outro, tem que ter o cara pra dar risada, entende? Pra sentir os bagos na cueca, tem que se lembrar que tem gente capada. E você acha que todo engravatado é feliz? Que o cara ta lá por pura opção? Muito cuidado antes de dar suas risadinhas por ai, você é tao cria do sistema como qualquer outro filho da puta e se achar o Messias nesse mundo de merda pode soar muitas vezes como malcriação. E quem é malcriado, apanha mais cedo ou mais tarde.

Estavamos na Paulista, em frente ao Masp, parados num trânsito infernal. Matias cantarolava uma canção pop no raáio e zombava da letra, quando percebi estava com a arma em punhos, mirando para os engravatados apressados na calçada e brincando que atirava um a um « Bum, bum, bum », fazia ele.

Guarda essa merda moleque.

Você não conhece outro caminho nao matador? Tédio do caralho ficar nesse trânsito.

Aguarda na disciplina, você é carona.

Baixa o tom matador, aqui nao tem moleque.

E você é o quê?

Matador.

Matador moleque.

Na minha idade você tava limpando bunda por ai.

Um acesso de furia tomou conta de mim, saltou veia no pescoço e o caralho, queria matar o filho da puta. Ele percebeu e tentou me acertar um soco. Peguei a mao dele e torci o braço inteiro, gritou como fazem os meninos de sua idade, na sequência encostei ele no banco com meu cotovelo e apertei forte seu pescoço.

Eu acabo com tua vida curta agora mesmo.

Ele tentava responder mas nao tinha ar suficiente para sair a voz. Soltei. Ele recuou pra trás e pegou todo o oxigênio que podia aguentar.

Filho da puta!

Recebeu um tapa na cara de imediato.

Você precisa aprender a ter mais respeito moleque. Quer dizer que é matador, hã?

Porque, não parece?

Você não amedronta não.

É porque não me conhece. Nao tenho medo de peitar grandao como você. Nasci sem medo porra, qual o problema com isso?

Mentira. Você é assim exatamente por que é um medroso cagao. Medo é o combustivel da vida.

O trânsito voltou a andar, passamos pelo viaduto embaixo da Consolaçao e pegamos a Dr. Arnaldo.

– Sabe de uma coisa Matias? Ja que você diz ser um matador, quem vai fazer o trampo hoje é você.

– Sozinho?

– É coisa simples, trabalho que eu faço sozinho. Vou entrar com você mas vou assistir de camarote, quero ver o pequeno gênio em açao.

Matias sorriu e vi o medo em seus labios. Tudo isso estava relativamente planejado, Hammer estava recebendo reclamaçoes demais do moleque e pediu que eu intervisse. Foi das minhas maos que um outro moleque doido, completamente desmiolado virou uma das estrelas do mercado. Butcher já reinava sozinho há algum tempo. A diferença é que quando conheci Butcher, ele era um garoto raivoso e problematico que achava que a vida o havia capado. Matias era tao raivoso e problematico quanto Butcher, mas achava que tinha bolas demais dentro do saco. E isso faz toda a diferença. Butcher era uma criança que havia apanhado demais, Matias era aquela que nao havia levado nenhuma palmada na bunda. Ainda, pois a mão do Deus Matador é grande e machuca. Aleluia.

Entramos no bairro das Perdizes, o endereço era logo ali, perto da Caraibas. Era um pequeno escritorio de advocacia em cima de uma padaria. Antes de subir pedimos um café na padoca.

Hoje você vai ter o prazer que tanto pediu, matar um engravatado.

Porcos capitalistas de merda!

Nao subestime o cara pela gravata Matias.

Advogado de gente rica?

É.

Vai ser o maior prazer.

Subimos os dois, ele na frente e eu atras. Entramos na firma, a secretaria veio nos recepcionar.

O Dr. esta ai? – perguntou Matias.

O senhor tem horario marcado?

Matias tirou a pistola e apontou para ela

Anota ai na sua agenda. É agora.

Tirei minha arma e rendi a garota. Matias enfiou o pé na porta e la estava o Dr., com uma arma nas maos apontada pro moleque.

Larga a arma Dr., a secretina é nossa.

Ela que se foda!

O Dr. olhou pra mim, pisquei, era o sinal. Mirou o peito, quando ele pensou em atirar, Matias foi mais rapido e enfiou um balaço no estômago. Gelei. O Dr., que na verdade era um bandido de merda contratado pra dar um tiro de festim e assustar o garoto sacudo caiu de costas. Matias virou pra mim e piscou « Tá vendo ai John, eu sou foda irmao ». O Dr. se mexeu e Matias nao percebeu, quando vi estava com uma outra arma na mao, de verdade, apontou na altura que dava e apertou o gatilho. Matias ajoelhou de dor. Corri em direçao ao Dr. e enfiei um outro balaço, esse sim tirou a vida. Matias urrava de dor, o tiro havia acertado a porra do saco do coitado e passado de raspão pelas nadegas. A minha intenção era assustar o moleque, só pra que ele colocasse as bolas no devido lugar. A intenção acabou é por capar literalmente Matias. E o moleque continua na ativa, agora ainda mais furioso. Matias Bola Murcha. Sem as bolas ficou um sujeito melhor. Aquele ditado, já citado, tomou relevância particular: pra sentir os bagos, Matias tinha de se lembrar que estava capado. Exceção no meu mundo. Tirei do moleque aquilo que pesava demais nele. Mas mesmo sem as bolas, continua sacudo e terrivel. Segura o moleque, tem futuro.