No dvd do ovelha

Semana hollydiana entre outras coisas…

The Box. Você recebe uma visita com uma caixa e uma mala na mão. Na caixa, um botão. Na mala, 1 milhão de dólares. E a proposta: se apertar o botão, a mala é sua. A conseqüência: uma pessoa que você não conhece morre. E aí, você apertaria? Bom, a gente aperta o botão todo dia por muito menos que isso, certo? O novo filme do diretor de Donnie Darko tem uma premissa interessante e a história se desenrola muito bem. Baseado no conto Button, Button de Richard Matheson de 1970 o filme é um petardo de emoções. O impasse do botão se resolve relativamente rápido e os 70% restantes é o desenrolar de uma história que mistura NASA, deuses da luz entre outras pirações dignas de Donnie Darko, dignas desse diretor. De boas intenções, o inferno também está cheio. Não adianta apertar o botão e reclamar que é bom depois. Filmaço. Tem a Camarão Diaz no elenco, sempre ruim, e James Marsden, sempre regular.

Bronson. O prisioneiro mais violento da Inglaterra que virou o prisioneiro mais famoso do mundo. Michael Gordon Peterson, o Bronson, passou quase parte inteira de sua vida numa solitária. O cara nunca matou ninguém, foi preso num assalto a banco mal planejado e acabou atrás das grades, e aí é que sua repulsa pelo sistema começa a tomar força dentro dele. O filme foge dos padrões de estética, tem uma cara de filme de arte com bons diálogos e uma das melhores interpretações que vi este ano, o ator inglês Tom Hardy está sensacional, irreconhecível. E o pop star do crime Bronson, hoje com quase 60 anos parece que continua brutal, só que mais sossegado. O cara tem uma legião de fãs e até um site em prol de sua libertação. O cara tem vários livros publicados, de poemas e ficção e ainda, um livro para exercícios em lugares de confinamento. Natural Born Killers de verdade.

Precious.  Precious é o que eu já esperava, um dramalhão intenso do começo ao fim triste pra caralho. Claro que você fica tocado pela história da Claireece, não tem como ficar ileso, mas o filme é muito mais interpretação do que história. A atriz Mo’nique, que faz o papel da mãe da Precious, realmente trabalha demais, você fica com vontade de entrar em cena e socar a cara dela. Nunca tinha visto essa atriz antes, ganhou o Oscar e ainda mandou um discurso muito bom. Até a Mariah Carey está bem no filme. A atriz principal Gabourey Sidibe também está muito bem, mas me pergunto se isso não foi porque o papel foi mesmo feito pra ela, ficou natural, sei lá como explicar. E o discurso que o radialista Howard Stern fez sobre essa atriz? Se você não viu, clique aqui. Que babaca! E Precious é: filme regular com excelentes atrizes. Vale a pena.

Alice in Wonderlands. O que aconteceu com Tim Burton? Se rendeu a tecnologia. Os cenários, agora todos em computação gráfica, perderam aquele encanto tradicional do diretor. Os cenários físicos costumavam ser um dos seus diferenciais, como em A Fantástica Fábrica de Chocolate ou Sweeney Todd e muitos outros. A história foi muito bem contada, os atores estão muito bem. Pra variar o Johnny Deep se destaca e ninguém nunca fala de Helena Boham Carter, a Red Queen do filme e mulher de Tim Burton na vida real. Muito boa atriz, comecei a gostar dela desde Clube da Luta. É ela a melhor coisa do filme em minha opinião. Outro erro do diretor foram os efeitos especiais, muita computação, o cara extrapolou, ficou ruim, parecia vídeo-game. Devia ter seguido exemplo de Spike Jonze em Onde Vivem os Monstros, ele sim foi original, ele sim foi Tim Burton. Decepção total.

The Informant. Matt Damon é Mark Whitacre, um executivo bem sucedido da indústria agrícola que decide de uma hora pra outra entregar os segredos da corporação para o governo americano. Qualquer comentário sobre esse filme vira um spoiler, então vou ficar por aqui e salientar a interpretação do Matt Damon. Gosto muito desse ator, que sempre faz papéis não são muito comentados, ficou fora do Oscar com Os Infiltrados mesmo mandando melhor que o Di Caprio e na altura do Jack Nicholson. Com esse filme, foi indicado ao Globo de Ouro, mas não lembraram dele no Oscar. Por exemplo, vi A Serious Man e achei que o Matt Damon merecia mais que o Michael Stuhlbarg. Que pena, já que essas premiações idiotas são uma das únicas maneiras de reconhecer um ator para as massas. E o diretor Steven Soderbergh fez mais um bom trabalho. Bom filme, baseado numa história real que parece mentira de tão improvável. Não perca.

I’m your man. Um documentário sobre Leonard Cohen, um gênio da música e da letra nascido aqui em Montreal que inspirou uma legião de artistas em todo o mundo. Leonard Cohen, hoje com cerca de 70 anos, é daquelas pessoas que o simples olhar passa muita coisa. Sábio, sereno, simples. Esteve na revolução musical dos anos 70, é poeta, é escritor. Quem já escutou Chelsea Hotel? Uma música que ele fez para Janis Joplin sobre uma relação relâmpago no quarto desse famoso hotel em Nova Iorque. E Hallelujah ou Suzanne? São muitas. Cohen trabalhou por anos em algumas de suas letras mais famosas. Passou mais de 5 anos num mosteiro budista, procurou se confrontar a todo tempo, a olhar seus próprios abismos, evoluiu. Continua evoluindo e inspirando. E sobre o filme? Se não fosse por alguns efeitos toscos de imagens e locução, seria melhor. Faltou também um pouco mais de entrevistas com o próprio Cohen, o filme intercala com um tributo feito ao artista por outros músicos como Rufus e Marta Wainwright, Teddy Thompson, Nick Cave, Antony entre outros. Tirei um pouco do meu bode com o Rufus. E gosto ainda mais do Cohen.

One Response to “No dvd do ovelha”

  1. Aê, vc finalmente viu “I’m Your Man”! Eu achei bem legal, não conhecia direito o trabalho do Cohen e passei a admirar depois desse documentário.

    Dos outros, não gostei muito de A Caixa e achei Preciosa de fato impressionante, principalmente pelas atuações. Pelo q vi nas entrevistas antes do Oscar, a menina é bem diferente da personagem, é alegre, alto-astral, e cheia das gírias típicas de teenagers americanas. Então acho q seu desempenho foi mto bom mesmo, essa transformação…

    Ainda quero ver O Desinformante.

    Abs!

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