Aigre piquant!

Fui convidado pelo Daniel Grenier a participar do Souvenir d’enfance aigre-piquant, um projeto de blogueiros francófonos onde cada um escreve um texto de uma lembrança agridoce picante.

O Danny Boy, grande amigo, parceiro, escritor e autor do excelente Mathilde en dernier, fez a tradução do meu texto do português ao francês.

Segue então abaixo a versão original e para ler a versão em francês, clique aqui.

No blog do Danny, você pode encontrar as versões dos outros participantes, todas muito interessantes. Bela iniciativa, gostaria de participar de mais coisas assim.

Aliás, falando em projetos, estou participando de outro com o Danny, o blog Textículos Peludos.

Ainda está meio nebuloso o caminho do blog, o que é sensacional. Um blog que explora o sentimento de culpa? Talvez. E é impressionante a habilidade do quebecois Daniel com a língua portuguesa, vale a pena conferir.

Eu e Elisete e mais ninguém

Venho da classe média de São Paulo. E sou de uma geração onde os homens trabalhavam o dia todo e as suas esposas ficavam em casa. A maioria das famílias era assim, eram raras as mulheres que se aventuravam no mundo machista do trabalho, era mais confortável então ficar em casa: lavar, passar, cozinhar, assistir programas de televisão emburrecedores, novelas, esperar o marido chegar em casa para escutá-lo reclamar do seu dia. E então quase toda família de classe média tinha uma empregada, uma mulher que ajudava as donas de casa nos serviços domésticos. Na minha casa éramos três moleques, na verdade quatro, pois meu pai também não ajudava em nada, chegava em casa cansado, comia, deixava o prato sujo na pia, jogava as roupas no chão do banheiro, tomava um banho e ia para o sofá ver um jogo de futebol. Eu e meus irmãos acompanhávamos meu pai e minha mãe e sua empregada ficavam lá na cozinha, deixando tudo limpo para a labuta que começava bem cedo no dia seguinte. Às seis da manhã minha mãe já estava de pé, ia à padaria comprar pão e voltava para espremer laranjas para o suco do meu pai, que tinha sempre de estar bem gelado quando ele acordasse. E eu me lembro da Elisete, a empregada da minha mãe. Ela também acordava as seis da manhã, ela tinha um quartinho na área de serviços de casa, sua cama, suas coisas, ela ficava ali a semana toda e aos fins de semana voltava para sua casa de verdade nos subúrbios da cidade. Elisete tinha peitões incríveis. Eu voltava da escola e ficava circundando Elisete, perguntando coisas para ela, observando-a trabalhar, espiando seus peitões balançarem enquanto passava minhas cuecas. Rafa, meu irmão caçula ainda era muito pequeno para entender aquilo e o Léo, o mais velho, era um adolescente que já tinha suas namoradinhas de verdade e um quarto só dele onde ficava trancado a tarde toda brincando com seus hormônios. E eu tinha uns dez anos, não queria mais saber de brinquedos e então Elisete e seus peitões me interessavam demais. Eu me lembro que no meio da tarde a Elisete ia descansar um pouco no seu quartinho, assistir TV, tricotar e eu pedia para ficar ali com ela, sentado no pé da cama, bem comportado. Elisete ria com os programas de auditório e eu só achava graça nos seus peitos. Eu queria olhá-los de verdade, tocá-los, mas eu temia que Elisete me repreendesse, que ela contasse para minha mãe que ia esperar meu pai chegar e contar para ele e enfim eu tomaria uma surra das grandes. Mas a surra valia a pena. Acho que foi a primeira coisa que aprendi como homem, que vale a pena uma boa surra para ver uns peitões. Então cheguei um dia da escola decidido. No meio da tarde Elisete entrou no seu quarto e eu entrei em seguida, minha mãe estava longe e aí eu disse “Elisete, posso ver seus peitos?”. Ela deu uma risada, passou a mão nos meus cabelos e assim de repente tirou sua blusa. Meus olhos estalaram e ela então tirou o sutiã. Os peitos maravilhosos de Elisete brotaram na minha frente, ficaram ali firmes e dançantes por alguns segundos. Ela se vestiu novamente e disse “Não conte nada à sua mãe”. Aquele então era o nosso segredo. E assim foi, todas as tardes, por alguns poucos segundos. Eu e Elisete e mais ninguém.

One Response to “Aigre piquant!”

  1. Velho! Viu os comentários dos leitores à propósito do seu texto no Saint-Henri? Eles piraram!

    “Quel talent foudroyant!” a Émilie escreveu.

    “Le rythme et la narration sont superbes!” o Francis acrescentou.

    Vc fez um texto bacana! Adoro te traduzir pro francês: uma grande honra, já sabe!

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