No DVD do ovelha

The Road. O fim do mundo sem efeitos especiais, um retrato cru e pessimista da humanidade. Cormac McCarthy, autor do livro e que também escreveu Onde os Fracos não tem vez, adaptado ao cinema pelos irmãos Cohen, deixa aqui sua marca registrada. Na minha opinião, o pessimismo feroz de McCarthy tem um fundo otimista, vou explicar melhor: o filme trata de um pai e um filho num mundo pós-apocalíptico, onde a natureza não cresce mais e os humanos famintos comem uns aos outros, viramos canibais. Pai e filho caminham em direção ao sul na esperança de encontrar pessoas como eles, que ainda não cederam ao instinto animal, que ainda carregam dentro deles a chama que nos faz humanos. A esperança na humanidade. Um filme simbólico. Num mundo assim, onde ninguém mais confia em ninguém, onde comemos uns aos outros, acreditar no que nos faz humanos é talvez a única saída. O pessimismo que carrega o otimismo. Um dos melhores filmes que vi nos últimos anos, intenso, nervoso, possível, muito mais que os filmes catástrofes e seus heróis que estamos acostumados a ver por aí.

Lemon Tree. O mundo sempre esteve em guerra, principalmente entre israelenses e palestinos. E aí vem um filme que explica a complexidade desse conflito de uma forma simples. Salma é uma viúva palestina que tem uma pequena casa com uma imensa plantação de limoeiros. Ela cresceu ali, aprendeu com o pai a arte de cultivar limões, aquilo é sua vida. E então seu novo vizinho chega, o Ministro de Defesa de Israel. A Força de Segurança Israelense logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do ministro e por isso precisam ser derrubados. Salma começa sua cruzada para reverter a situação e salvar a sua plantação, limoeiros que carregavam mais do que limões, a cruzada de Salma simboliza a própria guerra entre os dois povos.

Niemeyer. A vida é um sopro. Documentário sensacional sobre um dos maiores ícones brasileiros da arquitetura. O filme retrata a vida de Niemeyer e seus principais projetos, entre eles Brasília que fez junto de Lúcio Costa. Você pode amar ou odiar Niemeyer, dizem os arquitetos, mas o fato é que é impossível não admirar a sua importância  no Brasil e no mundo. Um visionário, que vê na arquitetura uma forma de arte, arte para a massa.  Eu particularmente não gosto de alguns de seus projetos, mas gosto de outros, e o documentário te dá a chance de entender as razões por trás de tudo. Ainda assim não gosto de algumas coisas que ele fez, mas entendi porque ele fez assim. E Niemeyer é um tiozão com um bom papo, tranqüilo, às vezes muito cheio de si, que odeia críticas. Ele deixou sua marca. A vida é um sopro, mas nunca vai apagar o que ele construiu para contemplarmos, isso é eterno.

The Lovely Bones. Comecei a assistir na melhor das expectativas: Peter Jackson, Mark Walberg, Rachel Weiss, Globo de Ouro. O filme começa bem, um bom tom de suspense e drama familiar, cenas bonitas, mas aí começou o lance todo sobre espiritismo e melou de vez. O filme virou uma novela de Walcyr Carrasco piorada, com toques de outra novela global, A Viagem. Quanto mais o filme se aproxima ao final, pior vai ficando, cada vez mais babaca, historinha boba. O final então, previsível demais. Decepção das grandes, como há tempos eu não tinha com um filme. E o filme é baseado em um livro, fico imaginando aquela ladainha toda detalhada em páginas e páginas. Salvei raras coisas do filme, entre elas a promessa da atriz principal, Saoirse Ronan, e a atuação do Mark Walberg. Quanto a atuação tão comentada do Stanley Tucci, não gostei. Caiu no estereótipo, fácil demais.

Greenberg. Se tem comediante fazendo filme de drama, eu vejo. Foi assim com Jim Carrey em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e com Will Ferrel em Mais Estranho que a Ficção. Gostei muito desses dois filmes, gosto muito de ver os comediantes em papéis sérios, eles trazem outra coisa e mais que isso, eu acho o comediante sempre subestimado pela crítica especializada. E Greenberg traz Bem Stiller no papel de um quarentão que passa por uma crise pessoal. O irmão dele vai viajar a trabalho ao Vietnam e então o convida para tomar conta de sua casa em Los Angeles. E lá, Bem Stiller reencontra seus velhos amigos, antigas namoradas e uma nova possível paixão. Para fugir de sua crise pessoal ele quer mergulhar no “não quero fazer nada no momento”, mas Los Angeles e toda a bagagem que a cidade representa na vida dele não deixam isso acontecer. O filme tem direção de Noah Baumbach, que fez o sensacional A Lula e a Baleia e o mediano Margot and The Wedding. Greenberg está entre os dois, tem grandes momentos, às vezes cansa, mas vale pelos personagens reais e pela reflexão toda em volta deles, de nós mesmos, marca registrada do diretor.

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