O peidinho e a multidão

Você conhece a história do Marião? Então essa é pra você cidadão, que solta seus peidinhos despretensiosos no meio da multidão.

Marião gostava da Joana, tomou coragem e pediu ela pra sair. Foram ao cinema, Marião comprou pipoca, jujuba, coca, sentaram lado a lado, um filme leve, uma comédia romântica para inspirar a investida que Marião faria passados uns trinta minutos de filme. Esse era o plano. Marião tinha o discurso pronto, anos de um amor recluso e platônico e que finalmente agora ele teve coragem de dizer à Joana. E Joana dava sinais que sabia o que o Marião queria. O cenário estava armado, tudo pronto e preparado. Ia dar samba, quem sabe até casamento.

Quando os trinta minutos de filme bateram no cronômetro, Marião se aprochegou de Joana e levou a boca em direção a sua orelha. E quando seus labios timidos e medrosos, mas sempre esperançosos, iam começar a falar, veio um cheiro subito de merda que invadiu aquele momento. Sim, um peido alheio intruso que chegou de vela quebrando tudo, todo o clima, todo o romance, quem afinal gostaria de se beijar embalado por aquele perfume? Marião sabia que a culpa era do cara ao seu lado, sujeito sem-vergonha, sujeito safado. Até olhou para o cara, pensou em falar alguma coisa, mas achou melhor nao fazer barraco. O cheiro vinha do lado esquerdo, era fato. Mas o problema era que Marião não se deu conta de que Joana poderia ter pensando que o peidinho foi dele mesmo. E foi isso mesmo: Joana se distanciou de Marião de repente, fechou a cara e se entupiu de jujuba. Saíram do cinema, Joana inventou uma dor de cabeça, promessas de um novo encontro na despedida, mas a verdade é que Joana nunca mais quis saber de Marião. Marião levou a culpa de um peidinho que não foi dele e isso acabou com sua vida amorosa. Marião hoje esta na casa dos cinquenta, ficou pra titio e nunca mais levou uma mulher ao cinema ou qualquer outro lugar que houvesse uma pequena multidão.

Parece piada, mas vai que é verdade. Ontem, eu e minha patroa estavamos num show. Entre solos de guitarra e estancadas de bateria, subiu um cheiro de merda. Minha patroa então perguntou « Foi você quem peidou? » Eu disse « Não! Certeza que foi esse barbudo aqui do meu lado ». E de fato, o cheiro vinha dele. O barbudo balançava a cabeça, sorria, gritava, pulava e peidava. Assim, despretensiosamente no meio da multidão. Ainda que bem que são quase dez anos de intimidade com minha mulher. E se fosse o coitado do Marião quem estivesse ali no meu lugar?

Então tome nota e pense sempre no companheiro ao lado. E não é só na multidão que o peidinho faz estrago: imagine o mesmo Marião no escritório, depois do almoço, ali na sua baia, quieto e calado, ralando o cu na ostra pra entregar tudo no prazo. É nessa hora que aparece o Carlinhos, colega de empresa que trabalha ali na baia ao lado. Batem papo, dão risada e Carlinhos sente uma pontada. Carlinhos olha pros lados, como se fosse atravessar a rua, não vê ninguém e então decide soltar aquele peidinho pra ajudar a digestão. E sai vazado, dá a desculpa ao Marião que está atrasado para uma reunião. E não é que o patrão do Marião chega ali bem na hora pra bater um papo? Agora o coitado do Marião ta sem mulher e sem promoção!

One Response to “O peidinho e a multidão”

  1. Guga, pense sempre dos dois lados … E se fosse o Marião que tivesse dado a “banfa” ? Valeria sacrificar alguem pra ficar bem com Joana ?
    O bom mesmo é quando o relacionamento chega na sua fase … Rs. Banfa sentado no colo e um beijinho pedindo a pipoca …. Rs . Beijo gordo !

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