Archive for September, 2011

1,2, 3 carneirinhos…

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , , , on September 30, 2011 by gugagessullo

Os 30 chegaram, acho que a idade bateu. Deve ter alguma chavezinha que se vira dentro de nós. Não é possível de que de uma hora pra outra a gente comece a gostar de uva passa no arroz, frutas cristalizadas, fruta de sobremesa, escarola refogada, pizza de aliche. Coisa de velho. O gosto muda com a idade. E o sono também. Eu me lembro de escutar meus pais rodopiando pela casa no meio da madrugada quando era criança. Meu pai acendia um, dois cigarros, minha mãe lia um livro, lia o jornal.  Eu colocava minha cabeça de volta no travesseiro e voltava a contar carneirinhos. No terceiro, já estava no fantástico mundo dos meus sonhos.

 

Agora com mais de 30 a história é outra e bem parecida com a dos meus pais. Pra dormir no terceiro carneirinho, pelo menos duas taças de vinho. E olha lá. Há um bom tempo, os pop-ups noturnos começaram a aumentar. E eu que achava que isso era coisa de workaholic, que acorda no meio da noite pensando em trabalho, dorme com um bloco de notas do lado da cama pra não deixar nenhuma grande ideia vazar. Já acordei as duas da matina pensando no almoço do Domingo: lasanha ou frango de padaria? Já me peguei planejando férias as três da manhã ou lembrando das férias passadas e amaldiçoando o dia de amanhã. Aquela fatura que deixei de pagar. Aquele amigo que faz tempo que não falo. As finanças…vai dar pra comprar aquilo? Vai dar pra fazer isso? Ou ainda, remoendo uma rusga familiar, pensando se vale a pena ter filho, no futuro do meu filho. Se está na hora de uma mudança radical, se vale enviar uns currículos por aí afora. Ou aquelas coisas nada a ver com nada, do tipo “E se eu pintasse a parede da sala de vermelho, ia ficar legal?”. Já trombei minha mulher na cama algumas vezes, se remexendo como eu. Outro dia lá pelas tantas da manhã dei um cutuco nela, ela respondeu de bate pronto, juro que se nós decidíssemos ir pra cozinha daquele jeito a gente fazia um bolo, com cobertura e tudo, assava uma carne na panela de pressão, fazia biscoitos caseiros, participava de uma gincana, planejava uma festa surpresa pra alguém, jogava uma partida de buraco, sei lá. E na boa, empolgados, como se tivéssemos três expressos na cabeça, com os olhos arregalados e a cabeça a mil. Mas amanhã é dia de branco, aí a gente se abraça, se acalma e tudo volta ao normal. E não é que é sempre assim, mas acontece. O ser adulto moderno é um ser um estado de vigília constante. A gente cresce e vai aumentando a cerca com o tempo. Lá pelos 50, vai ter carneirinho batendo cabeça.

Mestre Galeano

Posted in Dirty Sheep Loves it! with tags , , , on September 29, 2011 by gugagessullo

Nao conhecia o Sr. Galeano. Muito bom, tudo o que ele fala, vale a pena ir atras de outras entrevistas.

Latino

Posted in Dirty Sheep Music with tags , , on September 29, 2011 by gugagessullo

“Soy un discurso politico sin saliva”

 

Vice-versa

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , , , , , , , on September 27, 2011 by gugagessullo

Vice-versa

Algumas pessoas estão definitivamente mais preparadas para esse mundo. Outras não, pelo menos não do jeito que o mundo é. Enfim, isso separa a turma toda em dois times, os que sofrem mais e os que sofrem menos. E é claro que nada é assim tão simples: cada time tem também suas subcategorias, tem os que sofrem menos dentro do time dos que sofrem mais, tem os que sofrem mais dentro do time dos que sofrem menos. Tem gente que vira a casaca no meio da vida, tanto de um lado quanto do outro. E assim vai, complicando, gente chutando de direita e de esquerda, com os dois pés, de bico e colocado, embolando o meio-campo.

Você sabe de qual time faz parte? Provavelmente sim, é só buscar na memoria. Se você é daqueles que não sofre, que leva a vida na boa mesmo à frente das incoerências e abusos desse mundo, provavelmente você era aquela criança que arrepiava todo mundo no War, Banco Imobiliário e Detetive. Já os sofredores, do outro lado, piravam no Jogo da Vida, Cara a Cara e Imagem e Ação.

No Pega-Varetas, o não-sofredor era obsessivo pelas varetas pretas, aquelas que valiam mais pontos, enquanto o amiguinho sofredor morria de medo de fazer o amontoado mexer a cada jogada. Ele mais sofria do que curtia a brincadeira. No baralho, arregalava os olhos quando jogava Burro num nervosismo constante para baixar de vez as cartas, não importa quem ganhasse. Já o não-sofredor ficava puto se não baixasse primeiro. E quando baixava, fazia aquela arruaça. É o mesmo sujeito que hoje adora gritar “marreco” na orelha dos outros numa mesa de truco.

No Atari, enquanto o sofredor se divertia com o Keystone Kapers, aquele jogo bobinho e divertido do bonequinho que pulava carrinhos de supermercado, o amiguinho não sofredor só queria saber de atirar em tudo que via pela frente no River Raid. O sofredor se divertia jogando bolinha pra lá e pra cá no Pitfall, o não-sofredor acelerava fundo e ultrapassava tudo no Enduro. Esse ai, alias, é aquele que comia tudo no Pac-Man e ainda dava um baile nos fantasminhas. O sofredor saia correndo, comia o que podia e sempre era pego no final.

Lembra da Caverna do Dragão? Então, o sofredor concordava com o Bobby de nunca deixar a Uni, já o não-sofredor ficava puto da vida com o baixinho marrento que fodia com o resto da turma e não deixava ninguém ir pra casa. O sofredor desconfiava até do Mestre dos Magos, o não-sofredor se perguntava porque eles nunca aceitavam as propostas tentadores do Vingador. E também ficava nervoso com o porra do Geléia, sempre fazendo bobeira, sempre atrapalhando a missão dos Caça Fantasmas. O sofredor era do time do Scooby e do Salsicha, o não-sofredor também gostava mas confiava nos palpites do Fred e da Wilma. Alguns sofredores acabavam se identificando demais com o Príncipe Adams, coisa de bater na alma mesmo. E na contrapartida, alguns dos que não sofrem nada só queriam ver o He-Man sentado no gato guerreiro dando bofete por ai afora. Coisa engraçada, sofredores ou não, hoje fazem parte de um mesmo time…

Não me entendam mal, afinal tanto o sofredor quanto o não-sofredor podem ser excelentes pessoas, a questão é mais de perspectiva do que outra coisa. Por exemplo, quem hoje sofre demais, torcia para o Papa-Léguas nunca ser pego. Quem hoje sofre de menos, torcia para Coiote se dar bem. E no mundo de hoje quem se deu bem foi mesmo o Coiote, não foi? Os dois, aliás, torciam pelos planos do Cebolinha dar certo, mas o sofredor logo se enjoou das historias quando se tocou que eles nunca iam dar certo. Passou logo pro Tio Patinhas.

Razão x coração? Dureza x sensibilidade? Nada disso, todo mundo tem os dois. A balança é o indivíduo.  Alguns vão estar sempre na festa desse mundo, felicidade rodando, sangue nos olhos, reb bull na mão, quando a peteca dá sinais que vai cair, toma um tapa de pelica e volta pro ar. Depressão, tristeza? O caralho! Joga uma água na cara e continua. Outros vão se deixar levar pela melancolia, pela solidão, pelo grito íntimo que bate em todos os peitos desse mundo. Alguns nunca entenderão os outros, os outros nunca entenderão alguns. E vice-versa.

Tindolêlê

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , , , , on September 27, 2011 by gugagessullo

 

Tindolêlê

 

Ah vida moderna, você  que nos deixa loucos. Acordamos com o som frenético das buzinas e ruídos, olhos arregalados, passamos o café daquele jeito, ducha, mal limpamos a bunda e lá vamos nós ao trabalho. Hoje são tantas coisas para se pensar e fazer, conciliar vida pessoal e vida profissional, não? Hoje são tantos sites e blogs para ler, uma hora tá tudo bem com a economia, outra hora é recessão, uma hora o Brasil é o país do futuro, outra hora é o país da vergonha. Uma hora teu time tá na ponta da tabela, na outra lutando pra não cair. Hoje são tantos livros para ler, fora os que ficaram pra trás, nas listas, tantas bandas para se ouvir, tantos filmes para ver. Tanto tudo que tudo é nada, o tempo que consome tudo o que está em volta. Passa um ano, entra outro e aquela sensação de que as promessas e as resoluções são quase sempre as mesmas, a gente estoura o champanhe e se engana que tudo vai ser diferente, que dessa vez aquele sonho, aquele projeto vai andar, que a vida finalmente vai mudar, que vamos emagrecer e ficar com aquele corpão global. Parece que não muda nunca, só acelera ainda mais. Redes sociais, telefones inteligentes, pequenos diabos intrometidos, estupradores da tranquilidade, arregaçam a castidade da nossa privacidade. Sabe o que é o Facebook? Depois do login e senha começa a sair da tela aquela música da Xuxa:

 

Todo mundo tá feliz?
Tá feliz!
Todo mundo quer dançar?
Quer dançar!
Todo mundo pede bis
Todo mundo pede bis
Quando para de cantar

 

Batendo palma
E dando um grito
Hei!
Levanta a mão passando energia
Batendo palma
E dando um grito
Hei!
Levanta a mão passando energia

 

Eu quero ver
Levanta a mão
Vem balançando, balançando a multidão
Eu quero ver
Tindolelê
Nheco Nheco
Xique Xique
Balancê

 

Sim, é isso. Pessoas felizes, fotos de um mundo utópico, todo mundo é engraçado, todo mundo faz piada, todo mundo comenta, todo mundo cutuca.  Enfim, todo mundo quer dançar. E um brinde a vida moderna: copos cheios e pessoas vazias!

Na orelha do ovelha

Posted in Dirty Sheep Music with tags , , , on September 27, 2011 by gugagessullo

 

A real hero

Posted in Dirty Sheep Music with tags , , , on September 19, 2011 by gugagessullo

A música é ótima, ainda melhor dentro do filme- DRIVE.