1,2, 3 carneirinhos…

Os 30 chegaram, acho que a idade bateu. Deve ter alguma chavezinha que se vira dentro de nós. Não é possível de que de uma hora pra outra a gente comece a gostar de uva passa no arroz, frutas cristalizadas, fruta de sobremesa, escarola refogada, pizza de aliche. Coisa de velho. O gosto muda com a idade. E o sono também. Eu me lembro de escutar meus pais rodopiando pela casa no meio da madrugada quando era criança. Meu pai acendia um, dois cigarros, minha mãe lia um livro, lia o jornal.  Eu colocava minha cabeça de volta no travesseiro e voltava a contar carneirinhos. No terceiro, já estava no fantástico mundo dos meus sonhos.

 

Agora com mais de 30 a história é outra e bem parecida com a dos meus pais. Pra dormir no terceiro carneirinho, pelo menos duas taças de vinho. E olha lá. Há um bom tempo, os pop-ups noturnos começaram a aumentar. E eu que achava que isso era coisa de workaholic, que acorda no meio da noite pensando em trabalho, dorme com um bloco de notas do lado da cama pra não deixar nenhuma grande ideia vazar. Já acordei as duas da matina pensando no almoço do Domingo: lasanha ou frango de padaria? Já me peguei planejando férias as três da manhã ou lembrando das férias passadas e amaldiçoando o dia de amanhã. Aquela fatura que deixei de pagar. Aquele amigo que faz tempo que não falo. As finanças…vai dar pra comprar aquilo? Vai dar pra fazer isso? Ou ainda, remoendo uma rusga familiar, pensando se vale a pena ter filho, no futuro do meu filho. Se está na hora de uma mudança radical, se vale enviar uns currículos por aí afora. Ou aquelas coisas nada a ver com nada, do tipo “E se eu pintasse a parede da sala de vermelho, ia ficar legal?”. Já trombei minha mulher na cama algumas vezes, se remexendo como eu. Outro dia lá pelas tantas da manhã dei um cutuco nela, ela respondeu de bate pronto, juro que se nós decidíssemos ir pra cozinha daquele jeito a gente fazia um bolo, com cobertura e tudo, assava uma carne na panela de pressão, fazia biscoitos caseiros, participava de uma gincana, planejava uma festa surpresa pra alguém, jogava uma partida de buraco, sei lá. E na boa, empolgados, como se tivéssemos três expressos na cabeça, com os olhos arregalados e a cabeça a mil. Mas amanhã é dia de branco, aí a gente se abraça, se acalma e tudo volta ao normal. E não é que é sempre assim, mas acontece. O ser adulto moderno é um ser um estado de vigília constante. A gente cresce e vai aumentando a cerca com o tempo. Lá pelos 50, vai ter carneirinho batendo cabeça.

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