Choco-rei

Mulheres e chocolate é amor eterno. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe. Uma relação especial, complexa, embutida, emocional, sensorial, sexual. Chocolate transforma água em vinho. Quando a mulher está alegre, o chocolate celebra, recompensa. Quando entediada ou raivosa, consola. Quando triste, só ou mal acompanhada, dá carinho.  Quando apreensiva, relaxa e acalma. Quando angustiada, acalenta a alma. Pode ver, é só mostrar uma barra que dá comichão na mulherada: como um animal que vê sua presa, o nariz abre, os olhos arregalam, a boca saliva, o coração vai a mil. Nem mesmo o orgão genital masculino tem esse poder inebriante. Não importa qual homem seja, o pênis vem com duas bolas e nada mais, só muda de tamanho. Chocolate pode vir ao leite, amargo, com amêndoas, nozes, macadamias, amendoim, frutas secas, com recheio de coco, caramelo ou marshmallow. Perdeu, playboy.

 

Homem não assume, mas também ama um chocolatinho. Homens desse Brasil: quem não gosta de detonar um barrão de chocolate ao leite sentado no sofá? Você mesmo, amigão, que no meio do expediente saca daquele compartimento secreto da mochila uma barra de Kit Kat, Sufflair ou Twix e manda para dentro em segundos. Ou no meio da madrugada entra sorrateiro na cozinha e vai direto para a dispensa a procura de uma barra qualquer. E fica puto se só encontra uma barra velha de cereal. Chocolate é uma alegria, pequeno prazer mundano que nos faz esquecer da amargura cotidiana. O homem  apenas não admite loucamente, já as mulheres gritam e esperneiam. O que afinal esta por trás dessa pequena e poderosa iguaria, que seduz, corrompe e ludibria nossas mulheres?

 

Bom, tem a minha teoria, a da repressão feminina. Você, homem adulto, esta acostumado a ver bunda e peito em revista desde moleque, passando de mão em mão num almoço de familia, do avô ao seu tio, do seu tio ao seu Pai, do seu Pai a você. “Da uma olhadinha aqui, filhão!”. Você olha aquele mulherão, alguns saltam pra trás, outros pedem mais. Aliás, pequeno hiato, tem que tomar cuidado – imagina a situação: a única mulher pelada que o garoto viu até então foi sua mãe. Ai o Pai chega em casa com a Playboy do mês com a Claudia Ohana e seu gato siamês na capa. De duas uma: ou você o traumatiza de vez ou o moleque cresce um depravado adorador de xanas cabeludas – Enfim, para o homem começa assim, como molhar o dedinho na espuma do chopp. Quando a adolescência começa e os hormônios bombam, espinha é sinal de punheta. Na mulher, é sinal de muito chocolate. Porque a mulher, claro que com exceçoes, sempre foi punida no quesito sexual. Ai o chocolate virou a Playboy feminina, uma obsessão mascarada de tensão sexual..

 

Mas ai existe a definição acadêmica, que prevalece sobre meu devaneio teórico: o chocolate melhora o humor e alívia o estresse – ele contém substâncias que estimulam a produção de serotonina, um neurotransmissor que ajuda a combater a depressão e a ansiedade, além de estimular os centros de prazer e de bem-estar. Tudo isso pra explicar que chcolocate é bom e da tesão. Dizem até que dá o mesmo prazer que uma corridinha proporciona. Ai já é comparar alhos e bugalhos, pois correr nunca chegou perto do prazer de devorar um chocolate, me desculpem os adeptos de plantão. Minha mulher já tentou correr kilometros e nunca sentiu nada. Eu também já tentei e nada. “Tem que correr mais, depois de uns 5km você começa a sentir e não quer mais parar” ou ainda, “Uma hora o cansaço e a dor muscular são substituídos por um gostoso bem-estar, uma mistura de euforia e prazer”. Para com isso, para mim cansaço e dor muscular são sinônimos de desespero. O chocolate é de fato muito mais prazeroso. Divide a tela em duas e coloca em uma alguém correndo e na outra, alguém devorando uma barra de Toblerone. Quem parece mais feliz? Quase todo mundo que me veio com essa teoria da corridinha parou com a graça meses depois. Voltaram para a barra negra açucarada. Se o negócio fosse bom mesmo, estariam correndo até hoje. Agora, pergunta se eles pararam de comer chocolate. Não, nunca, jamais. O chocolate ainda reina absoluto.

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