Mãos a obra!

 

Cagar é um ato intimo, uma coisa sua, um mundo secreto e intocável. O que você faz lá dentro de verdade, ninguém sabe. A não ser que você decida dividir isso e cagar de porta aberta. Não é meu caso, para mim cagar de porta aberta é o principio do fim do relacionamento. Fico imaginando situações hipotéticas, eu ali no trono com a porta escancarada debatendo assuntos familiares com minha esposa, decidindo as próximas férias, assuntos banais meramente importantes de um casal. Você se limpa na frente da sua esposa naquele ato grotesco e animal que todo mundo conhece e depois vai pedir beijinho? Não da! Toda a paixão, carinho, amor, qualquer tipo de afeto vai junto com a descarga. A partir da primeira cagada de porta aberta, as brigas ficarão mais intensas, as rusgas mais severas. Conselho: se você realmente ama, preserve a cagada intima. Se você esta louco para arranjar motivos para pular fora do relacionamento, escancare a porta mesmo. Às vezes isso é até um sinal de uma das partes, fique atento.

 

Bom, tem gente que caga rápido, outros demoram. Uns gostam de ler, outros de mexer no celular. Você nem imagina, mas a Claudinha, aquela baixinha gostosa do seu trabalho, acabou de postar uma foto dela de biquíni enquanto estava cagando. Porque não? Outros decidem telefonar para amigos, bater um papo. Você escuta aquele eco e se questiona “será que o Marcinho esta falando comigo e cagando ao mesmo tempo?”. Mas você erradica esse pensamento da sua cabeça e segue em frente na conversa. É no “Até mais” que o Marcinho vacila, se apressa  e aperta a descarga antes de desligar. ”Filho da puta!”. É, concordo. Para alguns cagar é um ato de sacrifício, seres amaldiçoados com o intestino preso. Tem pouca intimidade com a privada, se sentam já na obrigação de fazer qualquer coisa. É muita pressão, são dias, semanas sem uma cagadinha, isso reflete na auto-estima, na pele, no humor. Às vezes, um peidinho já é lucro.  Tem também a turma da oposição, já acordam com o charuto apagando na cueca, batem o ponto mais uma vez chegando ao trabalho, e podem rolar ainda outras durante o dia. São pessoas comuns, como eu e você, só que tem a felicidade de não guardar nada. Uns terão ataque do coração aos 40, outros cagarão três vezes ao dia e viverão até os 80 anos. É a vida. Tem aqueles que são viciados pela leitura não-informativa, aquela que não agrega nada: rótulos de shampoos, desodorantes, perfumes. Como você pega ele no flagra? O sujeito sai do banheiro e esquece o shampoo no chão ao lado da privada. Depois de meia hora, esta numa roda de mulheres palestrando sobre a composição do novo condicionador da Nívea « Meninas, esse ai tem muita química, cuidado ».

 

Tem gente que só caga pelado, tem gente que só caga em casa, tem gente que só caga se depois rolar um banho. Nada de bidê, uma ducha mesmo, serviço completo. Tem aqueles que adoram olhar o trabalho depois de feito, ficam felizes “Espelho, espelho meu, quem no mundo caga mais do que eu”. Tem aqueles que adoram lugares públicos. É o cara que esta sempre com perfumes diferentes no corpo: um dia ele aparece com aroma de laranja, no outro de lavanda, no dia seguinte flores do campo. O cara cheira a odorizador de banheiro. Tem aqueles mais loucos, curtem a adrenalina da cagada perigosa, entram no banheiro torcendo para não ter muito papel “Como vou sair dessa? Esse papel dá somente pra duas passadas”. É o barato do cara, gosta de desafios. As pessoas podem ter idéias geniais durante uma cagada, podem começar uma guerra também. As pessoas refletem sobre a vida, pensam nos problemas, nas soluções, tomam decisões importantes. Há cinco minutos atrás, Dona Ruth estava cheia de dengo com seu maridão. Entrou no banheiro, sentou, pensou demais, saiu e pediu o divórcio. Simples assim. O maridão ficou sem entender nada, foi até dar uma cagada para pensar no assunto.

 

Isso só me leva a uma conclusão: cagar é tão importante quanto respirar. A gente banaliza, brinca, faz piada, não fala sobre o assunto em público, mas no fundo no fundo, a gente sabe do poder de uma bela cagada. Salva uma ressaca, salva um casamento, salva uma vida, quem sabe conserta até o mundo.. Portanto, mãos a obra meus amigos. O mundo certamente depende de nossas cagadas.

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