Archive for the John the Smoking Gun Category

Tem Fogo?

Posted in John the Smoking Gun with tags on April 5, 2010 by gugagessullo

Sai do bar pra fumar um cigarro, essa porra de lei. Bares e fumaça combinam. Levei meu copo comigo e fui para a esquina, acendi o cigarro com aquele gosto mágico que a bebida te dá, combinação dos deuses, o melhor cigarro de todos.

– Oi… – uma voz de mulher cutucou meus sentidos. Me virei e uma mestiça linda pairava com um cigarro entre os dedos. – Tem fogo? – Acendi seu cigarro e por alguns mínimos segundos a labareda do isqueiro me deixou ver sua beleza quase que incontrolável, tinha olhos puxados, verdes, um nariz fino e macio, os cabelos lisos caiam sobre a testa, uma bela foda. Colocou o cigarro na boca e o aproximou da chama, sugando-a. A ponta se acendeu. A chama se apagou e voltamos a ser aqueles velhos desconhecidos. Aquele momento se repete sempre, duas pessoas que nada sabem uma da outra e por alguns segundos se tornam íntimas, quase tocam as mãos, respiram o mesmo ar, dividem do mesmo prazer, mal sabia ela que a desejei intensamente enquanto pude.

– Você não acha estranho? – ela perguntou depois de umas duas tragadas.

– O que?

– A situação toda, essa coisa de fumantes, estamos ligados de certa forma, não?

– Estava pensando na mesma coisa. Eu não sei nada sobre você, você não sabe nada sobre mim e fomos íntimos por alguns milésimos de segundos. – Ela riu e tragou mais uma vez. Eu ri de volta.

– Você poderia ser o homem da minha vida e eu nunca saberia.

– Ou um assassino louco que acaba se escolher sua próxima vítima – e rimos juntos, meio sem graça, meio que se flertando.

– Pois é – ela disse – Ou quem sabe eu fui contratada para te matar.

– E você foi? – me aproximei dela com os olhos incandescentes de tesão. E de esperança. – Às vezes o matador sou eu. – ela balançou a cabeça achando graça do que eu tinha dito. Deu uma última tragada e jogou o cigarro no chão, pisou e esmagou a bituca.

– Foi um prazer.

– O prazer foi meu. – E era a mais pura verdade, eu tinha acabado de comer aquela mestiça com meus mais profanos pensamentos. Ela sabia disso. Puxei outro cigarro do maço e escutei outra voz no meu cangote.

– Tem fogo?

Matias Bola Murcha

Posted in Dirty Sheep Originals, John the Smoking Gun with tags on January 18, 2010 by gugagessullo

 

Meu vô dizia que o homem tem dois caminhos na vida: cortar o saco ou continuar com as bolas balançando. A maioria de nós esta capado, as vezes até mesmo nascemos já sem as bolas. Meu vô era um cara vigoroso, reprendia sempre meu velho quando ele vinha com o facão pra cortar meu saco. Graças a ele continuo batendo as bolas. O lance todo desse papo é so pra dizer que às vezes é pesado pra caralho carregar as bolas do saco. Não tem caminho fácil nessa vida.

O pequeno Matias achava o contrário, recém-chegado, indicado por bandido, fazia a vida como ladrão desde moleque, achava que tinha as bolas do tamanho das minhas. Batia boca com qualquer um, peitava e achava que tudo se ganhava no grito, mas nesse ramo aqui agente também tem que aprender a se relacionar bem, como os engravatados lá fora, dar uns tapinhas nas costas, fazer uns trabalhinhos sujos, favores. Tem gente que acha que ludibria sempre o sistema, que não faz parte dele, aponta pros engravatados e dá risada, como se fossem os únicos otários nesse mundo. Não tem liberdade no sistema, irmão. O próprio conceito de liberdade é cria do sistema, pro cara tar rindo de outro, tem que ter o cara pra dar risada, entende? Pra sentir os bagos na cueca, tem que se lembrar que tem gente capada. E você acha que todo engravatado é feliz? Que o cara ta lá por pura opção? Muito cuidado antes de dar suas risadinhas por ai, você é tao cria do sistema como qualquer outro filho da puta e se achar o Messias nesse mundo de merda pode soar muitas vezes como malcriação. E quem é malcriado, apanha mais cedo ou mais tarde.

Estavamos na Paulista, em frente ao Masp, parados num trânsito infernal. Matias cantarolava uma canção pop no raáio e zombava da letra, quando percebi estava com a arma em punhos, mirando para os engravatados apressados na calçada e brincando que atirava um a um « Bum, bum, bum », fazia ele.

Guarda essa merda moleque.

Você não conhece outro caminho nao matador? Tédio do caralho ficar nesse trânsito.

Aguarda na disciplina, você é carona.

Baixa o tom matador, aqui nao tem moleque.

E você é o quê?

Matador.

Matador moleque.

Na minha idade você tava limpando bunda por ai.

Um acesso de furia tomou conta de mim, saltou veia no pescoço e o caralho, queria matar o filho da puta. Ele percebeu e tentou me acertar um soco. Peguei a mao dele e torci o braço inteiro, gritou como fazem os meninos de sua idade, na sequência encostei ele no banco com meu cotovelo e apertei forte seu pescoço.

Eu acabo com tua vida curta agora mesmo.

Ele tentava responder mas nao tinha ar suficiente para sair a voz. Soltei. Ele recuou pra trás e pegou todo o oxigênio que podia aguentar.

Filho da puta!

Recebeu um tapa na cara de imediato.

Você precisa aprender a ter mais respeito moleque. Quer dizer que é matador, hã?

Porque, não parece?

Você não amedronta não.

É porque não me conhece. Nao tenho medo de peitar grandao como você. Nasci sem medo porra, qual o problema com isso?

Mentira. Você é assim exatamente por que é um medroso cagao. Medo é o combustivel da vida.

O trânsito voltou a andar, passamos pelo viaduto embaixo da Consolaçao e pegamos a Dr. Arnaldo.

– Sabe de uma coisa Matias? Ja que você diz ser um matador, quem vai fazer o trampo hoje é você.

– Sozinho?

– É coisa simples, trabalho que eu faço sozinho. Vou entrar com você mas vou assistir de camarote, quero ver o pequeno gênio em açao.

Matias sorriu e vi o medo em seus labios. Tudo isso estava relativamente planejado, Hammer estava recebendo reclamaçoes demais do moleque e pediu que eu intervisse. Foi das minhas maos que um outro moleque doido, completamente desmiolado virou uma das estrelas do mercado. Butcher já reinava sozinho há algum tempo. A diferença é que quando conheci Butcher, ele era um garoto raivoso e problematico que achava que a vida o havia capado. Matias era tao raivoso e problematico quanto Butcher, mas achava que tinha bolas demais dentro do saco. E isso faz toda a diferença. Butcher era uma criança que havia apanhado demais, Matias era aquela que nao havia levado nenhuma palmada na bunda. Ainda, pois a mão do Deus Matador é grande e machuca. Aleluia.

Entramos no bairro das Perdizes, o endereço era logo ali, perto da Caraibas. Era um pequeno escritorio de advocacia em cima de uma padaria. Antes de subir pedimos um café na padoca.

Hoje você vai ter o prazer que tanto pediu, matar um engravatado.

Porcos capitalistas de merda!

Nao subestime o cara pela gravata Matias.

Advogado de gente rica?

É.

Vai ser o maior prazer.

Subimos os dois, ele na frente e eu atras. Entramos na firma, a secretaria veio nos recepcionar.

O Dr. esta ai? – perguntou Matias.

O senhor tem horario marcado?

Matias tirou a pistola e apontou para ela

Anota ai na sua agenda. É agora.

Tirei minha arma e rendi a garota. Matias enfiou o pé na porta e la estava o Dr., com uma arma nas maos apontada pro moleque.

Larga a arma Dr., a secretina é nossa.

Ela que se foda!

O Dr. olhou pra mim, pisquei, era o sinal. Mirou o peito, quando ele pensou em atirar, Matias foi mais rapido e enfiou um balaço no estômago. Gelei. O Dr., que na verdade era um bandido de merda contratado pra dar um tiro de festim e assustar o garoto sacudo caiu de costas. Matias virou pra mim e piscou « Tá vendo ai John, eu sou foda irmao ». O Dr. se mexeu e Matias nao percebeu, quando vi estava com uma outra arma na mao, de verdade, apontou na altura que dava e apertou o gatilho. Matias ajoelhou de dor. Corri em direçao ao Dr. e enfiei um outro balaço, esse sim tirou a vida. Matias urrava de dor, o tiro havia acertado a porra do saco do coitado e passado de raspão pelas nadegas. A minha intenção era assustar o moleque, só pra que ele colocasse as bolas no devido lugar. A intenção acabou é por capar literalmente Matias. E o moleque continua na ativa, agora ainda mais furioso. Matias Bola Murcha. Sem as bolas ficou um sujeito melhor. Aquele ditado, já citado, tomou relevância particular: pra sentir os bagos, Matias tinha de se lembrar que estava capado. Exceção no meu mundo. Tirei do moleque aquilo que pesava demais nele. Mas mesmo sem as bolas, continua sacudo e terrivel. Segura o moleque, tem futuro.

 

Seeds of memory

Posted in Dirty Sheep Originals, John the Smoking Gun with tags on November 12, 2009 by gugagessullo

Um conto de John The Smoking Gun

 

Seeds of Memory de Terry Reid tocando na vitrola.

 

Tem musica que te faz sentir fodao, essa é a musica que eu queria que tocasse no meu enterro, você sabeSo His Life Can Stay Immortal To The Country / And Let Every Man Aware Of Being Free. Mas antes, eu ainda tenho muita fumaça pra queimar e te juro que vou fazer por merecer ter o Terry Reid velando por mim.

 

Hoje eu tou me sentindo bem, nao tenho olhos azuis, nem sapatos novos, muito menos sou amado, mas que se foda. A puta da Ana acordou eu estava mexendo na minha arma, colocando bala, ela gostava disso e talvez eu fizesse mesmo pra aparecer pra ela. Ana, sua puta vadia, nao posso ter sentimentos por você. E ela ficava ali, ainda deitada e me olhando, pelada, com sua xana de castor mostrando os beiços largos e desabotoados. Se eu pedisse, ela aceitaria se casar comigo, imagina eu e Ana, a puta, brincando de papai e mamae. Eu chegando em casa com a pistola fumegando e ela com o rabo furado, nao daria certo, eu ia ficar paranoico, ia querer queimar cada cliente dela e mesmo se eu pedisse que ela parasse, ia fazer o que ? Ficar em casa com a xoxota coçando, louca pra dar problema na pia e aparecer um encanador mal-intencionado. Ana é uma puta e sempre vai ser uma puta safada.

 

          Ana, ta na hora de vazar.

 

E ela mudou a cara na hora, me olhou como seu tivesse cagado em praça publica.

 

          Podemos tomar café juntos – tentei me redimir, mas ja era tarde.

          Tenho cliente logo mais – Quis me machucar a puta.

          Ok, quer uma carona ? – entrei no jogo, dei uma de que tava pouco me lixando.

          Porque nao tira o dia de folga e ficamos aqui ?

          Porque dia de folga é pra assalariado de gravata ou pra putas como você.

          Seu merda !

          Nao enche meu saco Ana.

 

Ela aceitou a carona, a casa dela era caminho do Star 69. Tinha de encontrar o Mijao la, tinha um trabalho com ele. Peguei a Consolaçao e o transito estava infernal. Olhei ao nosso redor e la estavam as pessoas indo para o trabalho, a maioria sozinha no carro, vidros fechados, radio ligado, algumas falavam no celular. Os onibus passavam pelo corredor tomados de gente, seres humanos enlatados, subindo a Consolaçao em direçao à Paulista, os jovens com seus fones, geraçao perdida, eles nao escutam mais o som das ruas. Mas o pior sao os autistas, os que ficam pendurados no celular andando igual barata tonta, sem noçao de direçao, trombando nos outros, as pessoas nao conseguem mais se encarar num transporte publico, se sentem incomodadas, o fone ou o celular no ouvido é companhia, um onibus passou com um figura no meio dos autistas com a biblia aberta, citando alguma merda, falava sozinho, como seu proprio deus ultimamente. Quem olhasse eu e Ana pensaria que éramos um casal subindo a Consolaçao, rumo a baderna corporativa. Deixaria ela ali no cruzamento da Paulista com a Consolacao, nos despediriamos com um selinho, eu seguiria até a Marginal, sentido Berrini, trabalhariamos o dia todo, no final do dia nos encontrariamos em casa, jantar, tv, sexo compensatorio, podiamos ser facilmente confundidos com um desses casais. Mas quem olhasse com o devido detalhe nao cairia nessa nao, Ana mascava um chiclete de maneira vulgar, pé emcima do porta-luvas, saia muito curta, batom, perfume barato, eu com uma pistola na cintura. Virei pra entrar embaixo ali do Minhocao, deixei a patota toda subindo o morro, larguei Ana em frente ao prédio dela, nos despedimos sem selinho. Parei em frente ao Star.

 

          Até que enfim porra! – Mijao gritou la do fundo.

          Ta apertado filho da puta ?

          Relaxa, tou de fralda.

          E seu ajudante?

          Foi me comprar um pacote de geriatricas ali na farmacia.

          E qual é a boa?

          É coisa rapida, um figurao que ta sendo chantageado por uma puta. O cara ta paranoico John, a puta nao para de ligar no celular, ligou até na casa dele, a esposa do cara anda desconfiada.

          O figurao prometeu o mundo pra puta e agora quer enterrar os sonhos delas, tipico.

          A puta diz que ta gravida.

          E se é pra matar uma puta, porque você me chamou?

          Porque essa você conhece.

          Quem?

          Ana.

 

Fui ator, nao demonstrei reaçao nenhuma. Ainda bem que o Mijao tinha me chamado.

 

      Sei quem é.

      Te dou 20% do pagamento se você me der o caminho das pedras.

      Nao é tao facil assim, ela nao atende em casa, so marca por celular e tem que ser indicacao de alguém. Nao tenho idéia de onde mora, que lugares frequenta.

       Eu ferrei minha chance John, escuta. Liguei pra ela e disse que era amigo do figurao. A puta desligou na minha cara.

 

Ainda bem que o Mijao tinha cagado, cara burro, a Ana era esperta.

 

      Faz o seguinte Mijao. Quer se livrar desse trabalhinho sujo? 50/50, eu acho ela, mato e trago o que quiser pra provar pro figurao, so que eu tenho de fazer do meu jeito, sozinho.

 

Mijao deu um sorriso meio sem graça, ele tava doido pra que eu fizesse isso desde o começo, odiava trabalhos que davam trabalho, era do tipo entrar e matar. O lance é que depois de varios vacilos seguidos, o cara começa a receber so servicinho deste tipo, matar cafetao, puta, trabalho simples para maioria dos matadores que ja percorreu o minimo do caminho das pedras, mas pro Mijao nunca foi, tinha fobia de puteiro e gente doida. Cara estranho.

 

          Porra, te devo uma John.

          Anota ai Mijao. E preciso do telefone do tal figurao.

 

Sai do Star com os olhos virados, caralho, a Ana e como assim, gravida? Eu tava cutucando o bebê esse tempo todo e mal sabia, puta vadia, ela ia se ver comigo. Voltei pra casa, sentei na minha poltrona pra pensar, acendi um cigarro, baforei idéias vazias, nada vinha. Peguei meu celular e liguei pra Ana.

 

          Alô.

          Ana, é o John.

          Oi John.

          Preciso falar contigo e tem de ser agora. Tem gente querendo te apagar, que porra você aprontou?

 

Peguei o carro e fui pra casa dela. Ela me atendeu com a cara em pânico, tava assustada. Me serviu um whisky, sentamos um de frente pro outro, acendemos um cigarro.

 

          E entao Ana, que historia é essa?

          Que historia?

          Corta esse papo de puta Ana, que papo é esse de chantagem?

          Nao é bem assim…

         CORTA ESSE PAPO, PORRA! – Meti o cano na barriga dela, tava com os olhos inchados de raiva, veia saltada na cara, eu tava enfezado.

      O FILHO É SEU PORRA! – gritou e pôs as maos no rosto. – VAI MATAR SEU FILHO É?! – Engatilhei o révolver e forcei na barriga

      CORTA ESSE PAPO!

      É VERDADE! – E começou a chorar – Que porra você queria que eu fizesse? Eu peguei o mais otario de todos e fiz chantagem, nao fui a primeira a fazer isso. Eu so queria uma grana do otario, queria apertar as bolas dele, achei que ele ia ficar cagado e me dar sem titubear, entende? – Fiquei sem reaçao, minhas maos tavam mole, baixei a arma, olhei pro rosto dela. – Filho de matador, John? Tudo menos isso, né? Eu fiz isso porque nao queria é te foder, nao queria que soubesse nunca.

 

Ficamos nos olhando em silêncio por alguns minutos. Acendi outro cigarro, baforei a idéia mais sensata naquele momento

 

          Da sua mao.

          Quê?

      DA SUA MAO AQUI! – E ela me deu. Prensei sua mao com os dedos abertos emcima da mesa, levantei e forcei ela pra tras com meu pé, tirei minha faca do bolso e cortei seu mindinho. AAAAHHHHHHHHHHHHH!

      Agora sai daqui e vai pro hospital.

 

Levantei e fui embora. No carro, liguei pro figurao.

 

          Doutor, sobre a tal encomenda.

          Ah sim. E entao?

          Feito.

          Quero uma prova.

          Em meia hora, traga o dinheiro. Anota o endereço.

 

Dei o endereço de um café na Paulista, homens e mulheres passava diante de mim, selinhos, selinhos e mais selinhos. O tal figurao entrou no café dando na cara que era ele mesmo. Apontei pra mesa e ele veio se sentar.

 

      Nessa caixa aqui, doutor, a prova fisica. Fica tranquilo que ninguém mais vai te aporrinhar o saco.

      Cara…e o bebê?

      Foi junto. – E ele baixou a cabeça e quis chorar. – Agora é tarde demais.

      Talvez fosse necessario so um susto nela, agora vou viver com isso pra sempre.

      Vai nada, putos como você enfiam o pinto em outros buracos o tempo todo, se isso te consola, é capaz que tenha outros filhos espalhados por ai. É capaz que tenha um orfonato de bastardos, é capaz que tenha um puteiro recheado deles. Se precisar de outro serviço, estamos sempre às ordens.

 

Me entregou um envelope com dinheiro. Levantei e o deixei la com a conta, peguei o carro e parei no Star. Entreguei a metade do dinheiro ao Mijao « Tudo resolvido » disse. Liguei para Ana, atendeu sua amiga Flora, estava no hospital com ela. « Perdeu o dedo », ela disse « Um cliente louco ». « Passa ela no telefone » pedi. Senti sua respiraçao do outro lado da linha “Oi boneca. Quer se casar comigo?”

John The Smoking Gun

Posted in Dirty Sheep Originals, John the Smoking Gun with tags on October 16, 2009 by gugagessullo

Um texto antigo de John, que conta um pouco sobre seu passado.

 

A primeira vez de Butcher.

  

A mudança não é uma decisão, não se acorda no dia e diz “hoje eu vou mudar”. Não é algo planejado, pensado, não é um objetivo de vida. A mudança simplesmente acontece, pode ser uma conseqüência de vários fatos ou de um só isolado, por mais simples que seja. Lembro de Cajaca, aquele meu velho amigo de quem te falo, que no meio do expediente enxergou o mundo de uma nova forma e abandonou tudo o que até então era sua vida. É uma chave que se vira, uma porta que se abre, uma luz ou uma sombra, não sei. Mudar é como uma fagulha, capaz de uma revolução pessoal. Fagulhas que existem em todos nós, e que num momento qualquer…Bum!

Foi o que aconteceu com você?

Foi, e não me lembro bem quando.

Talvez eu já tenha mudado.

Mudamos de várias maneiras, várias vezes. Mas o que você espera neste seu momento de vida, acredito que ainda não. Pra chegar aonde você quer é preciso o primeiro tiro. Mas depois vem o inferno, o período antes da mudança, a transformação.

Como assim John?

Você assiste na TV ou imagina, certo? Você até se enxerga fazendo isso muitas vezes. O que acontece é que muito mais difícil do que parece, do que a TV, os livros, o cinema te ensina. Sei lá porra, é foda, uma bomba atômica explode dentro de você, todos os seus valores, princípios, medos e demônios emergem como vulcões na alma. Você atinge o céu e o inferno, tem que ter peito e cabeça pra achar o seu equilíbrio.

Não imagino que seja assim tão poético.

E não é mesmo, não tem porra alguma de poesia. Depende de cada um, tem cara que nasce matando, que matou família, amigo, filho, só que este aí não serve pra ser matador, entende? Insanidade não se bica com nossa profissão.

Insanidade se bica com prazer, sangue frio também. Eu topei entrar nesta por prazer.

Então nós vamos ver se você é um insano ou um matador de verdade. Não é preciso ter sangue frio para ser insano.

 

Lembrei da minha primeira vez, não ia contar a Butcher como minhas mãos tremiam no dia anterior. No momento, pá, aí não, eu tava bem chapado e a coragem brotou naturalmente. Eu tinha 30 anos, calejado de tanta porrada desta vida hipócrita, o sujeito era um desafeto do Zacchi. Eu havia sido empurrado ao trabalho, o meu velho tutor não estava em seus melhores dias, o câncer comia seus órgãos e sua pele queimava uma febre assustadora aquela noite, o serviço tava pago, era ir ou perder o cliente para sempre. Grande Joe confiou o serviço a mim, aquela foi nossa última conversa, no leito de sua cama “Garoto, você tem um pouco de insanidade nos teus atos, isso é legal até, eu gosto. Antes eu tinha medo hoje eu sei que você é capaz, use esta porra pro seu lado profissional ou vai foder tua vida como muitos fodem por aí, seja esperto. Vai lá e aperta o gatilho.” Era uma noite quente, voltei me questionando sobre aquilo “insanidade”, eu sabia disso, eu sentia aquilo e entendia que a linha era muito tênue.

 

Era meu primeiro trabalho sozinho e isso era assustador. A insanidade nestes momentos de terror tende a se exaurir, fica reprimida, covarde, por isso sempre fui um hitman exemplar nos meus primeiros anos de profissão. Esscolhi um calibre 38, eu já tinha preparo suficiente para me aproximar do alvo, e ele era um cara grande e rabugento: Escopeta. O apelido não veio porque o cara era um atirador exemplar deste clássico modelo, mas sim porque era um ogro comilão que quando cagava, parecia dar um tiro de escopeta na latrina, a lenda na roda do submundo o transformara em uma piada, diziam que o filho da puta cagava tão pesado que se um dia fosse preso, ia estourar o pinto de algum boiola que se metesse à besta. Apesar da fama, tinha um certo conceito no meio, era um revendedor de armas famoso. Estava em decadência agora e por isso, perdeu o medo de foder nos negócios, tirava proveito de criminosos estúpidos e amadores, estourava prazos, entrega material com defeito, o nome sujou de vez, atirou o nome pelo cu como fazia com a sua própria merda. Havia anos que Zacchi não fazia negócios com Escopeta, por um simples motivo: já havia fodido os negócios nas últimas vezes e demorou anos até dar outra chance ao cagalhão. Quando isso aconteceu, não é necessário explicar porque fomos designados a apagar o otário, eu e Grande Joe.

 

A casa de Escopeta ficava em Mandaquí, bairro barra-pesada. Quando entrei no sobrado, me deparei com uma pequena reunião entre o cagalhão e seus comparsas, eram cinco no total, todos armados até o dente. A anfetamina já balançava meu corpo com a dança da morte e entrei disparando em 180o, um movimento tão rápido que a arma parecia uma espada de samurai cortando a glote de quem estivesse à minha frente, e foi assim, a minha primeira vez. Me senti um Deus, sem nenhuma raspa de sangue, sem nenhuma ferida no corpo, eu havia matado cinco homens sem o mínimo esforço. O embrião do velho John The Smoking Gun estava fecundado.

  

– Butcher, você conhece aquele cara, o Marcinho Maneiro?

 O traficante?

– O cara está agindo em São Paulo já faz um tempo, vendendo pó como água, fazendo dumping e o caralho. Tem muito nego puto por aí com ele. 

É ele o alvo?

Não, é um cara do bando do Maneiro. Um susto no chefão. O nome do alvo é Porpas. 

Ei, aquele gordo é gente boa.

–  É ele.

Você vem comigo?

– Só até a porta.

John, relaxa. Ou você já se esqueceu que eu já matei também.

 Aquilo foi diferente moleque, bem diferente. Se eu te deixasse solto por aí, ia virar manchete rapidinho.

 

Butcher me lembrava jovem, um sujeito esperto e bem aporrinhado pela vida, tinha insanidade demais nos atos, mas nada que amedrontasse minha escolha pelo garoto. Conheci Butcher quando ele ainda se chamava Miguel Nascimento, um jovem delinqüente da Zona Sul que trabalhava num açougue da Vila Mariana, estabelecimento vizinho ao apartamento que eu morava naqueles tempos. Sr. Hyashi, o dono, um coreano filho da puta que escravizava os funcionários decidiu àquela manhã que ia dar um corretivo no Butcher, o moleque faltava e nunca avisava. O tiro saiu pela culatra, quando Hyashi levantou a mão pra dar uma palmada, Butcher tinha um facão na mão, nada mais. Na frente de uma velha senhora que levava lingüiças pro marido, ele depenou o coreano, matou a sangue frio e é aí que eu digo o que digo sobre insanidade: além de matar, despelar e mutilar o cadáver, Butcher pendurou o corpo no varal de carnes da vitrine principal do açougue, até que ficou engraçado ele ali, do lado da carne de porco, da picanha e dos pequenos leitões, com as tripas à mostra. Por sorte, eu passava ali na mesma hora, e encantado com aquela cena levei o menino pra se refugiar comigo. Moleques assim são difíceis de achar, têm uma porta aberta na mente que pro lado certo, viram os melhores matadores que você pode contar.

 

Porpas deveria estar sozinho àquela hora, e estava. Acenei da porta pro meu pupilo e o vi entrar em passos silenciosos, um tiro, depois dois, depois uma seqüência, aquilo era estranho. Entrei acelerado e imaginei um arsenal de capangas de merda fuzilando Butcher, uma emboscada. Butcher estava de pé, ao lado do corpo gordo e flatulento, os dois sozinhos, e atirava incansavelmente até o tambor tilintar pedindo mais fogo.

Butcher?

Seus olhos tremiam.

– Eu lembrei de meu Pai, aquele filho da puta.

– Era gordo igual?

Não, foi a mesma expressão dos olhos quando eu atirei na cabeça do velho.

Aquilo era novidade, e me assustou.

Feliz aniversario John!

Posted in John the Smoking Gun with tags on June 10, 2009 by gugagessullo

Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida
careca como uma lâmpada,
barrigudo
grisalho
e feliz por ter
um quarto.

 

De manhã
eles estão lá fora
a ganhar dinheiro:
juízes, carpinteiros,
canalizadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
lavadores de carros, barbeiros,
dentistas, floristas,
cozinheiros, taxistas

 

e tu viras-te
para o lado esquerdo
para apanhar sol
nas costas
e não nos olhos.

 

Todos ser humano tem seus demônios. Talvez eu seja o demônio de mim mesmo. Com esse cheiro de enxofre que sai do meu cu. Largado aqui num quarto sujo e imundo, cinzeiro cheio, caixa de pizza largada no chao, latas de cervejas vazias, tomadas, amassadas, bafo de merda. Se alguém me olhasse agora duvidaria da minha furia, sou apenas um homem de cuecas. E de repente sinto uma coceira canina no meu pau. Lembro da cadela vadia que esta deitada na minha cama.  Ela me olha manhosa, seios descobertos, a xana querendo sair do lençol. Querendo fazer tipo. Até cogito uma outra trepada, mas nao quero enfiar meu pau de novo naquele formigueiro. Ela se levanta na pretensao de me fazer um chamego. « Se veste » digo calmamente. E a expulso dali. Hoje quero ficar sozinho. Olho pela janela e o Minhocao movimentado como sempre, carros, fumaça, as calçadas da Angelica cheias de gente, as formigas acordam cedo. Fecho as cortinas e deixo o sol incomodar la fora. Realmente nao faço parte daquilo. Ou faço ? Mera ilusao de me achar um solitario alienado, existo para que outros deixem de existir e esses deixam de existir porque outros assim o desejam, compram, com suas finalidades e pretextos, eu faço a roda girar, eu faço o mundo ser como é, como qualquer outro assalariado ordinario que senta a bunda em frente ao computador o dia todo numa corporacao de merda e fica apertando o botao. Para ser como é, o mundo precisa sempre favorecer uns e desfavorecer outros, tenho muita culpa nisso tudo. A campainha toca, é um entregador. Traz uma caixa de charutos, presente de Hammer. É que hoje faço 43 anos, e estou cada vez mais cansado. Acendo um charuto e vou dar aquele cagalhao matinal folheando uma revista de celebridades. Paro em uma foto de um atorzinho global de merda com uma imagem do Papaleguas estampada na camiseta. Provavelmente é do tipo que nao torcia pro coyote, sujeito que nao da pra confiar.  Olho minha bosta e admiro o meu bebê. Merda de cerveja. So um banho pra tirar o cheiro de demônio em mim.

 

Saio de casa e vou até a padoca da esquina, me ofereço de presente um bolo feio e velho todo coberto de um chocolate marrom, cor de bosta seca. Me sinto uma menina carregando um bolo pra casa, mas quero comer um doce, foda-se, depois é claro de comer um bicho morto. Vou até o Filé do Moraes e peço um sangrento file coberto com catupiry e muito alho, arroz e uma boa cerveja gelada acompanham. Levanto o copo pro alto e saudo a mim mesmo, mas nao quero dar trela de que estou comemorando algo especial e fazer papel de um solitario otario, termino o prato na mesma velocidade dos trabalhadores da avenida Paulista, mas arroto logo depois so pra clamar a todos que nao faço parte da patota que marcha. Eu ainda ando e penso que controlo minhas proprias pernas. Passeio sem pressa pelas calçadas tomadas de gente, acendo um charuto de Hammer e fico olhando o mundo da minha janela. Percebo que todo mundo, inclusive eu, sempre vê o sol nascer quadrado, atras das mesmas grades idiotas. Pelo menos eu ando em ritmos diferentes, me sinto como se estivesse andando de sunga no meio da multidao. E quero é voltar pra casa, me lambuzar de bolo, abrir uma garrafa de whisky, fumar mais um charuto e dormir de cuecas. E depois quem sabe, apagar minhas velinhas com o sopro da minha arma. Feliz aniversario John The Smoking Gun !

 

*texto baseado no Poema dos meus 43 anos de Charles Bukowski

Mijao

Posted in John the Smoking Gun with tags , , , , on May 26, 2009 by gugagessullo

Eu tenho um amigo cujo um dos maiores prazeres de sua vida é dar uma boa mijada. O cara segura até o pinto fazer bico, bexiga inflada, sai correndo feliz pro banheiro, solta a muringa e até inclina a cabeça pra tras como se tivesse gozando. Sao mijadas longas. E o cara ficou aprisionado nesta sensaçao, ele nao consegue mais mijar sem ser assim. Tem vezes, segundo ele, que até doi, ele ta la na rua dirigindo, transito e tem que segurar mais do que poderia. Ja se mijou no carro umas boas vezes. Ai pra evitar chegar todo molhado em casa, ele decidiu usar fraldas geriatricas, agora ele deixa a bexiga inchar até ficar vermelha e dolorida e o mijo corre livre. Cara esquisito esse, cada um com suas manias. Outro dia eu tava dando carona pra ele e no meio de uma explicaçao ele parou de falar, reclinou a cabeça pra tras e suspirou extasiado, eu disse « seu filho da puta, mijar no meu carro nao ! ». O cara  tava de fralda « relaxa ! » O foda é que agora ele pegou a mania de mijar em qualquer lugar, na fila do banco, no cinema, no bar, você logo se toca quando a cabeça dele se inclina pra tras e ele fecha os olhos, longe deste mundo, no seu prazer solitario e bizarro. O problema é que a gente tava trabalhando juntos ultimamente e em uma ocasiao ele mijou num momento crucial. Tava com a arma apontada pro cara, situaçao bem definida, eu com a minha apontada pro outro. Ele parou e inclinou a cabeça e entrou em seu mundo paralelo. Baixou a guarda. O sujeito se tocou que ele estava de alguma forma vulneravel mas ao mesmo tempo achou aquilo tudo muito estranho, imagina você com uma arma apontada na cabeça, a segundos de levar uma bala e o executor entra num transe. Você tem a chance de reagir mas nao consegue, porque você nao entende nada do que esta acontecendo ali. Logo quando percebi o seu ato compulsivo, atirei nos dois sujeitos pra evitar qualquer tipo de reaçao. « Nao vai ser sempre assim », falei. « Nao é sempre que vai ter um parceiro do seu lado que sabe a hora de mijar ».

Agora o filho da puta me contratou um assistante. O rapaz anda com ele pra la e pra ca, carregando suas fraldas e uma arma de guarda. O prazer da mijada é tao grande que ele optou por essa, vai entender. Ja dizem as mas linguas que o moleque anda matando mais que ele. O mijao anda perdendo o respeito.

A SETA -> Episodio final: happy hour.

Posted in A SETA, Dirty Sheep Originals, John the Smoking Gun with tags on May 4, 2009 by gugagessullo

A SETA – PARTE 1, clique aqui

A SETA – PARTE 2: MORTE NA CORPORAÇAO, clique aqui

 

Por Rodrigo Vidal ferraz e Gustavo Gessullo

 

Happy hour corporativo, momento da vida em que passar a mao na bunda de alguem pode ter consequencias gigantescas. Pode dar casamento, uma trepada no banheiro sujo do boteco, demissao ou até morte. É o perigo ao extremo, joga-se alcool por cima do sinismo e da falsidade. De repente, todo mundo vira amigo, todo mundo tem afinidades. O começo de um happy hour é apenas uma extensao do que rola dentro da empresa, as panelas, a hierarquia, o puxa-saquismo. É depois de umas belas porçoes e varias cervejas que a situaçao começa a mudar. Um verdadeiro baile de mascaras. A cana torna o cidadao valente, amigavel, corajoso, despojado, muitas vezes agressivo, tudo o que um bom funça nao pode ser…se perde a noçao da escala do poder…se cria uma nocao de amizade, alegria e companheirismo que nao existe… é so um momento de euforia, que no dia seguinte nao existira mais. Happy Hour é o cara cuspindo e falando alto no ouvido da diretora de marketing…a secretina dançando forro com o VP num esfrega esfrega de dar medo…o gerente, depois de um dia duro no trabalho, suado e com uma catinga desgraçada, camisa aberta, bafo, boqueira e descabelado dando em cima da estagiaria…o aspirante a gerente contando uma mentira atras da outra na mesa so para impressionar o diretor, que pensa, “meu deus, que piaozinho loco do caralho”…o estagiario, novo, imaturo e ingenuo ainda, lança que a empresa é uma merda, que ganha mal e trabalha demais, fala mal de todo mundo e no dia seguinte é demitido por conta da crise…a analista contabil que deixa escapar que frequenta casas de swing com o diretor de RH…o gerentao boa pinta que fica so de coruja na mesa, dando bicadas de passarinho no copo, esperando a supervisora gostosona pedir carona, mamada e pronta pro abate…os mano da mensageria e do almoxarifado que chegam causando tumulto, pedindo tequila, vodca e o caralho, na doce ilusao que naquele momento nao tem rico, nem pobre, nem afortunados e perdedores…o alpinista corporativo que so da uma passada pra “lembrar” que ta indo pro MBA…o boca mole do analista que conta uns podres da gerente da area pra mesa toda…ahhhhh, infeliz momento hippie, onde tudo parece perfeito, somos todos amigos, estaremos juntos e de maos de dadas para sempre vestindo a mesma camisa e lutando pelos mesmos sonhos. 

 

E la estava eu, numa mesa de bar lotada. Mais de 20 pessoas reunidas tomando, comendo, falando, o happy hour é uma soma de Aldous Huxley, é daqueles momentos necessarios pra apagar a triste verdade que nesta vida ninguém vence. Ninguem vence. Entre um copo e outro de cerveja, eu talhava setas na mesa de madeira do bar. O auditorio estava armado para o que a seta pedisse. Eu esperava o momento com ansiedade, oque me fez entornar o que vinha pela frente, eu estava bêbado e louco. Quando eu olhei para a mesa de madeira, eu havia talhado setas em todas as direcoes possiveis, um 180º harmonico. E a seta nao tardou a dar seu sinal. Todas elas piscavam. Respirei fundo e saquei a pistola automatica cuidadosamente de minha mochila. Golpeei meu copo de cerveja e me levantei com a rma em punhos. Antes de qualquer reaçao, lancei uma rajada nos mesmos 180 da seta. Todo mundo caiu como merda no chao. Agora fudeu. O negocio ia ficar feio pra mim. Olhei para as setas e uma so piscava. Piscava para um poster gigante de John Wayne portando uma pistola ainda fumegante. Parceiro.

 

Agora meu nome é John The Smoking Gun, filho da puta!