Archive for frango

Frango de ganja não dorme.

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , , , on February 20, 2010 by gugagessullo

Frango de granja não dorme. A luz fica acesa dia e noite na cara, o bicho estressa e come, come sem parar. Se dorme ou senta, é acordado. E o estresse intoxica a carne. Dizem até que cortam o bico do frango pra entrar mais comida. Luz acesa e bico cortado. E fica gordo, do jeito que o homem gosta, uma vida inteira para satisfazer o apetite do outro. Isso quando o frango tem sorte, os pintinhos que nascem defeituosos, mancos, com alguma doença, que não atendem os padrões de qualidade, estes são colocados em uma máquina que os tritura vivos. A máquina mói e o que era vida vira ração. E a galinha? Bota ovo sem parar, o dia inteiro, indizuda por hormônios e máquinas.

E um dia o frango e galinha saíram da granja, escaparam de mãos dadas, saíram correndo, batendo asas, doidos de felicidade. Demoraram um pouco, mas voltaram a dormir de noite, comiam quando dava fome, a galinha botava ovo quando ela queria. Tiveram muitos pintinhos e os que nasceram meio tortos continuaram ali com eles, não havia mais padrão de qualidade, máquina de moer. A família cacarejava de prazer, gozava da liberdade, uma coisa bonita de se ver. Mas fora da granja não era assim tão simples, os dias passaram e a verdade começou a mostrar sua cara. Tinha lobo, raposa, cachorro, muito bicho com fome solto por aí. O frango olhou para a galinha, abraçaram seus pintinhos e chegaram à conclusão mais difícil de todas “Somos comida, não importa onde estamos”. Saíram da granja para serem livres. E eles estavam livres, só não eram livres.

Uma historia de John The Smoking Gun

Posted in John the Smoking Gun with tags , , , , , , on March 11, 2009 by gugagessullo

Diario de John The Smoking Gun, março 2009

Fazia um frio dos diabos ! Eu vestia cueca, um minhocao e uma calça. O peido saiu e atravessou a cueca, facil como sempre. Mas ele fincou terreno entre o minhocao e a calça, ficou escondido ali, como uma moréia. Até ai eu tava sossegado, nao tinha dado conta que o peido tinha se escondido, pra mim, ele tinha seguido o caminho natural : saido do cu, atravessado a cueca, o minhocao, a calça e finalmente se dissipado no ar. Pra mim, ele tinha sido inodoro, e fiquei feliz por isso. Mas horas mais tarde quando me levantei pra buscar um copo d’agua, a moréia saltou do buraco e chicoteou em velocidade pra fora da calça. Veio o odor inegualavel de peido marinado que tomou espaço ao redor de todo o meu ser. Eu cheirava bosta. Foi naquele exato momento que o patrao se aproximou de mim para fechar negocio. «Porra !», ele disse. «Matadores nao cheiram a merda». Eu havia vacilado e perdido um contrato, cheiro de merda nao traz respeito, nunca mais peidei em serviço.

 

Mas hoje a situaçao tava complicada, bendito frango com molho do Domingo. Eu havia enchido a pança de peito, coxa, asa e ainda forrei o recheio com batata frita. Eu te digo meu amigo, acordei e o frango tava vivo na cueca, batendo asa. Era como se minha cueca tivesse forrada de pena. E nao era uma cagada matinal que consegueria limpar o que tava dentro de mim, ia demorar pro frango sair inteiro.  Pensei em tirar o dia de folga, me hidratar, comer leve e deixar o bichao sair com naturalidade e no seu tempo, mas eu tava liso de grana e aquele serviço era um belo caixa. O serviço ia me garantir pelo menos uns outros cinco contratos. Lacrei bem a cueca, botei um modes pra segurar qualquer freiada e sai de casa com o frango batendo asa.

 

«Sem peidar no carro», pensei. Pelo menos, era so cueca e calça, sem o minhocao. Mas é que peidar em carro é como peidar trancado num quarto, o odor bate, toma forma e espaço e você se acostuma la com ele. É dois ou três peidos sem vergonhas e ja é tarde demais, impreguina na roupa, no cabelo, na pele e você so se da conta quando sai. Segui firme até meu destino e admito que a cada brecada com o cu, voltava um soco quente pra dentro de mim.

 

Cheguei no lugar na hora marcada e com foco. Entrei, recebi o dossier, fiz as perguntas de praxe, confirmei o deadline, acertei a forma de pagamento, apertei as maos e sai. Ah, se todas as reunioes no mundo fossem com um peido travado no cu de cada participante. No caminho de volta soltei o breque e peidei sem do, meu destino era minha casa, mais presisamente, o trono. Estacionei e subi em disparada, o frango ja tinha virado urubu e beliscava a cueca sem parar. Entrei em casa e acelerei pro banheiro. Arriei a calça em euforia e deixei o bostelhao sair livre, entre intervalos prazerosos de peidos corneteiros. Suspirei em alivio, apertei a descarga com o cotovelo e saboreei a vitoria por alguns minutos. Hoje eu ia limpar a bunda é no chuveiro, eu merecia depois daquilo.