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O peidinho e a multidão

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , , on May 2, 2011 by gugagessullo

Você conhece a história do Marião? Então essa é pra você cidadão, que solta seus peidinhos despretensiosos no meio da multidão.

Marião gostava da Joana, tomou coragem e pediu ela pra sair. Foram ao cinema, Marião comprou pipoca, jujuba, coca, sentaram lado a lado, um filme leve, uma comédia romântica para inspirar a investida que Marião faria passados uns trinta minutos de filme. Esse era o plano. Marião tinha o discurso pronto, anos de um amor recluso e platônico e que finalmente agora ele teve coragem de dizer à Joana. E Joana dava sinais que sabia o que o Marião queria. O cenário estava armado, tudo pronto e preparado. Ia dar samba, quem sabe até casamento.

Quando os trinta minutos de filme bateram no cronômetro, Marião se aprochegou de Joana e levou a boca em direção a sua orelha. E quando seus labios timidos e medrosos, mas sempre esperançosos, iam começar a falar, veio um cheiro subito de merda que invadiu aquele momento. Sim, um peido alheio intruso que chegou de vela quebrando tudo, todo o clima, todo o romance, quem afinal gostaria de se beijar embalado por aquele perfume? Marião sabia que a culpa era do cara ao seu lado, sujeito sem-vergonha, sujeito safado. Até olhou para o cara, pensou em falar alguma coisa, mas achou melhor nao fazer barraco. O cheiro vinha do lado esquerdo, era fato. Mas o problema era que Marião não se deu conta de que Joana poderia ter pensando que o peidinho foi dele mesmo. E foi isso mesmo: Joana se distanciou de Marião de repente, fechou a cara e se entupiu de jujuba. Saíram do cinema, Joana inventou uma dor de cabeça, promessas de um novo encontro na despedida, mas a verdade é que Joana nunca mais quis saber de Marião. Marião levou a culpa de um peidinho que não foi dele e isso acabou com sua vida amorosa. Marião hoje esta na casa dos cinquenta, ficou pra titio e nunca mais levou uma mulher ao cinema ou qualquer outro lugar que houvesse uma pequena multidão.

Parece piada, mas vai que é verdade. Ontem, eu e minha patroa estavamos num show. Entre solos de guitarra e estancadas de bateria, subiu um cheiro de merda. Minha patroa então perguntou « Foi você quem peidou? » Eu disse « Não! Certeza que foi esse barbudo aqui do meu lado ». E de fato, o cheiro vinha dele. O barbudo balançava a cabeça, sorria, gritava, pulava e peidava. Assim, despretensiosamente no meio da multidão. Ainda que bem que são quase dez anos de intimidade com minha mulher. E se fosse o coitado do Marião quem estivesse ali no meu lugar?

Então tome nota e pense sempre no companheiro ao lado. E não é só na multidão que o peidinho faz estrago: imagine o mesmo Marião no escritório, depois do almoço, ali na sua baia, quieto e calado, ralando o cu na ostra pra entregar tudo no prazo. É nessa hora que aparece o Carlinhos, colega de empresa que trabalha ali na baia ao lado. Batem papo, dão risada e Carlinhos sente uma pontada. Carlinhos olha pros lados, como se fosse atravessar a rua, não vê ninguém e então decide soltar aquele peidinho pra ajudar a digestão. E sai vazado, dá a desculpa ao Marião que está atrasado para uma reunião. E não é que o patrão do Marião chega ali bem na hora pra bater um papo? Agora o coitado do Marião ta sem mulher e sem promoção!

Peidinho

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , on August 27, 2009 by gugagessullo

Ah se eu fosse um peidinho. Eu ia também querer sair livre por ai, fazer barulho, borrar as cuecas, sem me preocupar se deixei alguém constrangido. E eu queira ser um peidinho bem barulhento, que vida chata de um peido que sai ligeiro e tranquilo, assoviando quando muito. O peido tem vida curta, tem que fazer barulho mesmo. Nasce, cresce e estoura. Nasce de uma causa e morre como consequência, quase uma vida de merda. O barulho é seu grito de conquista, seu tapa no peito antes de se dissipar pelo ar. Imagina que vida de um peidinho que é bloqueado a toda hora que tenta sair, bate no anus, volta pro intestino, invade o estômago, fica perdido, sem rumo, sofre o preconceito do corpo que quer o expulsar de qualquer maneira, sorte de poucos que encontram seu caminho de volta. E quando finalmente saem, estao mais nervosos, reclamam, deixam um cheiro horrivel para mostrar seu descontentamento. É, peidos sao geiniosos. Eles falam e resmungam também. E peidos sao quase humanos, porque existe boa parte deles que é mau. Sai sem avisar, deixa aquela muafa tradicional, seu barulho é quase como um riso cinico, o sentido da sua existência é incomodar. Dentro deste maléfico grupo, estao aqueles cujo sentido de vida é somente anunciar a merda, espalhar o mau cheiro pelo mundo, carregados de enxofre, pequenos diabos. Eles se fingem de amigos, dizendo que anunciam uma boa cagada, mas é como enfiar a boca no trombone e contar a novidade para o mundo inteiro. Contar um segredo seu nas suas costas. Dizem até ser o melhor amigo do homem porque te acompanham para aonde você vai. Quer dizer, o mal cheiro é que te acompanha. Ele ja se dissipou faz tempo e esta rindo de você no inferno. Belo amigo ! O peidinho é que é amigo. E ops, olha la ! De tanto falar nele olha so quem aparece !