Archive for peido

Bexiga vazia

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , , , on August 23, 2011 by gugagessullo

Desde sempre tinha algo errado com o Manuel, um desbalanceio precoce com esse mundo. Nasceu pré-maturo, berrando, injuriado. Logo cedo, sarampo e catapora. Com 5 anos já tinha os dedos comidos por frieiras. Com oito, micose na unha. Com dez, gastritre. Com doze, já fazia parte da turma do refluxo e com quinze, teve a primeira úlcera. Com dezoito, já tinha o corpo inteiro baleado. Manuel nunca procurou ajuda nem ninguém quis ajudar, sua mãe morreu no parto e seu pai era um vadio itinerante. Foi criado pela dor de ser só. Ele sabia que seu problema era mais sério, algumas pessoas ficam deprimidas, outras o corpo responde fisicamente. Nunca foi um cara triste, nunca foi um cara reclamão, levantava cedo, dava um sorriso cheio de cáries no espelho e ia para a labuta cheio de dores. Cheio de gases. O problema começou a piorar na adolescência e se tornou quase que insuportável na vida adulta. Aos treze se assustou com uma pontada firme no coração, achou que ia morrer. Foi no médico pela primeira vez, fez exames, ouviu o doutor dizer barbaridades, mas não tinha nada de errado com o coração. Era apenas um cardume de gases que nadava sem rumo dentro dele, batendo aqui e ali, dando trombada em tudo quanto é lugar. Aprendeu a conviver com a dor no coração e com a triste idéia de que não ia morrer tão cedo. Os amigos diziam que ele tinha algum tipo de alergia a alimentos, que deveria parar de comer gordura. Se parasse de comer carne, fumar e beber, ai é que não aguentaria o tranco. A ressaca era necessária, o fazia lembrar que ontem foi um dia melhor.  Com o tempo, Manuel passou a gostar dos seus gases, se achava um ser abençoado. Quando a coisa estava preta, um peidinho sempre deixava tudo melhor. Era sua válvula de escape para tanto sofrimento. E sofria mesmo. Para aliviar, cagava três vezes ao dia e peidava pelo menos cem. Assim ia levando, atenuando a dor de nascer esse ser errante. Ja não escondia mais de ninguém, Manuel « o peidoqueiro » ganhou fama. Por onde andava ouvia piadas  e por isso então, por onde passava fazia questão de deixar um rastro de cheiro de merda. Não teve mulher, só se engraçava com putas. Não queria filho, não queria perpetuar sua espécie, não queria um outro merda por ai. Levou a vida aos trancos e barrancos e aos solavancos, o corpo cada vez mais dolorido, a dor cada vez mais embutida. Em uma segunda-feira qualquer, porque não poderia ser outro dia, dia de merda, um velho e combalido Manuel acordou, preparou o café e fumou um cigarro. Sentiu uma pontada no coração e se praparou para soltar um peidinho, o primeiro do dia. Mas o pedinho não veio, foi o coração quem parou. E assim Manuel subiu aos céus em velocidade máxima como uma bexiga que esvazia no ar.

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O peidinho e a multidão

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , , on May 2, 2011 by gugagessullo

Você conhece a história do Marião? Então essa é pra você cidadão, que solta seus peidinhos despretensiosos no meio da multidão.

Marião gostava da Joana, tomou coragem e pediu ela pra sair. Foram ao cinema, Marião comprou pipoca, jujuba, coca, sentaram lado a lado, um filme leve, uma comédia romântica para inspirar a investida que Marião faria passados uns trinta minutos de filme. Esse era o plano. Marião tinha o discurso pronto, anos de um amor recluso e platônico e que finalmente agora ele teve coragem de dizer à Joana. E Joana dava sinais que sabia o que o Marião queria. O cenário estava armado, tudo pronto e preparado. Ia dar samba, quem sabe até casamento.

Quando os trinta minutos de filme bateram no cronômetro, Marião se aprochegou de Joana e levou a boca em direção a sua orelha. E quando seus labios timidos e medrosos, mas sempre esperançosos, iam começar a falar, veio um cheiro subito de merda que invadiu aquele momento. Sim, um peido alheio intruso que chegou de vela quebrando tudo, todo o clima, todo o romance, quem afinal gostaria de se beijar embalado por aquele perfume? Marião sabia que a culpa era do cara ao seu lado, sujeito sem-vergonha, sujeito safado. Até olhou para o cara, pensou em falar alguma coisa, mas achou melhor nao fazer barraco. O cheiro vinha do lado esquerdo, era fato. Mas o problema era que Marião não se deu conta de que Joana poderia ter pensando que o peidinho foi dele mesmo. E foi isso mesmo: Joana se distanciou de Marião de repente, fechou a cara e se entupiu de jujuba. Saíram do cinema, Joana inventou uma dor de cabeça, promessas de um novo encontro na despedida, mas a verdade é que Joana nunca mais quis saber de Marião. Marião levou a culpa de um peidinho que não foi dele e isso acabou com sua vida amorosa. Marião hoje esta na casa dos cinquenta, ficou pra titio e nunca mais levou uma mulher ao cinema ou qualquer outro lugar que houvesse uma pequena multidão.

Parece piada, mas vai que é verdade. Ontem, eu e minha patroa estavamos num show. Entre solos de guitarra e estancadas de bateria, subiu um cheiro de merda. Minha patroa então perguntou « Foi você quem peidou? » Eu disse « Não! Certeza que foi esse barbudo aqui do meu lado ». E de fato, o cheiro vinha dele. O barbudo balançava a cabeça, sorria, gritava, pulava e peidava. Assim, despretensiosamente no meio da multidão. Ainda que bem que são quase dez anos de intimidade com minha mulher. E se fosse o coitado do Marião quem estivesse ali no meu lugar?

Então tome nota e pense sempre no companheiro ao lado. E não é só na multidão que o peidinho faz estrago: imagine o mesmo Marião no escritório, depois do almoço, ali na sua baia, quieto e calado, ralando o cu na ostra pra entregar tudo no prazo. É nessa hora que aparece o Carlinhos, colega de empresa que trabalha ali na baia ao lado. Batem papo, dão risada e Carlinhos sente uma pontada. Carlinhos olha pros lados, como se fosse atravessar a rua, não vê ninguém e então decide soltar aquele peidinho pra ajudar a digestão. E sai vazado, dá a desculpa ao Marião que está atrasado para uma reunião. E não é que o patrão do Marião chega ali bem na hora pra bater um papo? Agora o coitado do Marião ta sem mulher e sem promoção!

Peidinho

Posted in Dirty Sheep Originals with tags , , on August 27, 2009 by gugagessullo

Ah se eu fosse um peidinho. Eu ia também querer sair livre por ai, fazer barulho, borrar as cuecas, sem me preocupar se deixei alguém constrangido. E eu queira ser um peidinho bem barulhento, que vida chata de um peido que sai ligeiro e tranquilo, assoviando quando muito. O peido tem vida curta, tem que fazer barulho mesmo. Nasce, cresce e estoura. Nasce de uma causa e morre como consequência, quase uma vida de merda. O barulho é seu grito de conquista, seu tapa no peito antes de se dissipar pelo ar. Imagina que vida de um peidinho que é bloqueado a toda hora que tenta sair, bate no anus, volta pro intestino, invade o estômago, fica perdido, sem rumo, sofre o preconceito do corpo que quer o expulsar de qualquer maneira, sorte de poucos que encontram seu caminho de volta. E quando finalmente saem, estao mais nervosos, reclamam, deixam um cheiro horrivel para mostrar seu descontentamento. É, peidos sao geiniosos. Eles falam e resmungam também. E peidos sao quase humanos, porque existe boa parte deles que é mau. Sai sem avisar, deixa aquela muafa tradicional, seu barulho é quase como um riso cinico, o sentido da sua existência é incomodar. Dentro deste maléfico grupo, estao aqueles cujo sentido de vida é somente anunciar a merda, espalhar o mau cheiro pelo mundo, carregados de enxofre, pequenos diabos. Eles se fingem de amigos, dizendo que anunciam uma boa cagada, mas é como enfiar a boca no trombone e contar a novidade para o mundo inteiro. Contar um segredo seu nas suas costas. Dizem até ser o melhor amigo do homem porque te acompanham para aonde você vai. Quer dizer, o mal cheiro é que te acompanha. Ele ja se dissipou faz tempo e esta rindo de você no inferno. Belo amigo ! O peidinho é que é amigo. E ops, olha la ! De tanto falar nele olha so quem aparece !

Na guerra um peido pode matar

Posted in Dirty Sheep Loves it! with tags on June 9, 2009 by gugagessullo

Uma historia de John The Smoking Gun

Posted in John the Smoking Gun with tags , , , , , , on March 11, 2009 by gugagessullo

Diario de John The Smoking Gun, março 2009

Fazia um frio dos diabos ! Eu vestia cueca, um minhocao e uma calça. O peido saiu e atravessou a cueca, facil como sempre. Mas ele fincou terreno entre o minhocao e a calça, ficou escondido ali, como uma moréia. Até ai eu tava sossegado, nao tinha dado conta que o peido tinha se escondido, pra mim, ele tinha seguido o caminho natural : saido do cu, atravessado a cueca, o minhocao, a calça e finalmente se dissipado no ar. Pra mim, ele tinha sido inodoro, e fiquei feliz por isso. Mas horas mais tarde quando me levantei pra buscar um copo d’agua, a moréia saltou do buraco e chicoteou em velocidade pra fora da calça. Veio o odor inegualavel de peido marinado que tomou espaço ao redor de todo o meu ser. Eu cheirava bosta. Foi naquele exato momento que o patrao se aproximou de mim para fechar negocio. «Porra !», ele disse. «Matadores nao cheiram a merda». Eu havia vacilado e perdido um contrato, cheiro de merda nao traz respeito, nunca mais peidei em serviço.

 

Mas hoje a situaçao tava complicada, bendito frango com molho do Domingo. Eu havia enchido a pança de peito, coxa, asa e ainda forrei o recheio com batata frita. Eu te digo meu amigo, acordei e o frango tava vivo na cueca, batendo asa. Era como se minha cueca tivesse forrada de pena. E nao era uma cagada matinal que consegueria limpar o que tava dentro de mim, ia demorar pro frango sair inteiro.  Pensei em tirar o dia de folga, me hidratar, comer leve e deixar o bichao sair com naturalidade e no seu tempo, mas eu tava liso de grana e aquele serviço era um belo caixa. O serviço ia me garantir pelo menos uns outros cinco contratos. Lacrei bem a cueca, botei um modes pra segurar qualquer freiada e sai de casa com o frango batendo asa.

 

«Sem peidar no carro», pensei. Pelo menos, era so cueca e calça, sem o minhocao. Mas é que peidar em carro é como peidar trancado num quarto, o odor bate, toma forma e espaço e você se acostuma la com ele. É dois ou três peidos sem vergonhas e ja é tarde demais, impreguina na roupa, no cabelo, na pele e você so se da conta quando sai. Segui firme até meu destino e admito que a cada brecada com o cu, voltava um soco quente pra dentro de mim.

 

Cheguei no lugar na hora marcada e com foco. Entrei, recebi o dossier, fiz as perguntas de praxe, confirmei o deadline, acertei a forma de pagamento, apertei as maos e sai. Ah, se todas as reunioes no mundo fossem com um peido travado no cu de cada participante. No caminho de volta soltei o breque e peidei sem do, meu destino era minha casa, mais presisamente, o trono. Estacionei e subi em disparada, o frango ja tinha virado urubu e beliscava a cueca sem parar. Entrei em casa e acelerei pro banheiro. Arriei a calça em euforia e deixei o bostelhao sair livre, entre intervalos prazerosos de peidos corneteiros. Suspirei em alivio, apertei a descarga com o cotovelo e saboreei a vitoria por alguns minutos. Hoje eu ia limpar a bunda é no chuveiro, eu merecia depois daquilo.