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Tarantino, o bastardo.

Posted in Dirty Sheep Cinema with tags , , , on August 31, 2009 by gugagessullo

bastardTarantino gera polêmica. A maioria dos cinéfilos e criticos de plantao adoram falar que o cara é um pop star do cinema, que ele explora a violência gratuita, que utiliza elementos demais da cultura pop nos seus filmes. Eu acho isso tudo uma grande rotulaçao barata e uma tendência natural do ser humano, que idolatra o passado e acha que tudo que é feito no presente nao presta. É bonito dizer que se adora Bergman, ninguém contesta. Você vê isso até nos proprios filmes de Tarantino, as pessoas tendem a idolatrar Caes de Alguel e meter a boca em Kill Bill.

 

Vi o novo filme de Tarantino este fim de semana, Inglorious Basterds. E o filme me prova que ele é um artista genuino. O filme é violento, mas antes de descascar o cara com o papo da violência gratuita é preciso entender de onde vem suas referências, na sua maioria do cinema oriental. E olha, Tarantino fica pequeno perto da violência de Takashi Miike (Audiction, Sukiyaki Western Django) e Park Chan-wook (Oldboy, Lady Vingança). Eu ainda acho que Tarantino poupa e muito o povo ocidental. E a violência no seu novo filme é bem menos caricata que em Kill Bill, aqui ela é mais imaginaria, um reflexo da vontade coletiva e do judeu, particularmente, de descer o cascudo nos nazistas. Na verdade, ele usa da mesma moeda usada pelos nazistas, isso que é interessante. É tao sujo e doente quanto foi na realidade.

 

Outro ponto interessante deste filme sao as metaforas, o filme esta cheio delas. Uma cena em particular que eu adorei: a judia de vestido vermelho, vestida com a cor da paixao, da vingança e do soldado nazista recordista de corpos judeus baleados mas que demostra sinais de arrependimento. A simbolizaçao do nazista que se arrepende e do judeu que odeia mas tem compaixao, numa dança em slow motion com um desfecho épico (e esperado).

 

Tarantino fez, segundo ele mesmo disse, um spaghetti western com a 2a Guerra Mundial. E haja culhao para brincar com este tema. Os filmes sobre Guerra e Holocausto dos ultimos anos sao sempre no mesmo formato, so muda a historia. The Reader, foi quase uma exceçao, mas pra mim também caiu no déjà-vu. Tarantino fez cinema de arte. Com pitadas pop. Cinema de arte moderno.

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